domingo, junho 10, 2007
Chuvas de Junho
Caí uma chuva repentina e surpreendente em Lisboa, que lava as flores de Jacarandá dos passeios do meu bairro, avivando as cores da paisagem e acentuando o azul forte do meu rio. Tempo esquisito este.
Etiquetas:
O meu mundo
sexta-feira, junho 08, 2007
(Al)pista no caminho do golfe

Da Portela, recordo as despedidas de familiares do terraço do aeroporto. Ficávamos ali, ao longe, a vê-los embarcar, numa partilha de lágrimas com os companheiros do lado. Em outras vezes era um momento de festa, transvestido de passeio domingueiro para as crianças pobres da cidade que nunca tinham visto os aviões levantar vôo.
Habituei-me à presença do aeroporto na minha Lisboa Oriental. Aquela de que os governantes da cidade se esqueceram durante meio século. No meio do lixo, da degradação urbana, dos contentores a separar-nos do rio, o aeroporto era a única estrutura de referência para lá de Santa Apolónia. Mais do que a porta de entrada na nossa cidade, era a porta de entrada no nosso País dos ricaços de uma Europa que julgávamos distante. E mesmo que fosse a correr, eles tinham de chegar à rotunda do Relógio para encontrar o centro da cidade.
O nosso olhar para Santa Apolónia, o velhinho convento de freiras adaptado às exigências industriais da época do transporte, era diferente. Muito mais próximo, porque era à velha estação ferroviária de Lisboa que íamos com frequência buscar os tios de França ou da Alemanha, do Alentejo ou das Beiras.
A cidade, de repente, descobriu o seu lado oriental, cresceu e embelezou-se, e o aeroporto ficou a mais. E perigoso. No limite dos concelhos de Lisboa e de Loures, inserido na fatia territorial mais povoada dos dois concelhos, o aeroporto da Portela é hoje uma zona de risco. Mas já o era há 20 anos.
Tanto do lado de Loures como de Lisboa cresceram bairros clandestinos e de habitação degradada durante a segunda metade do século passado. E foi à volta do aeroporto - onde havia espaço livre ou vazios urbanos' - que se foram concentrado os milhares de refugiados laborais que procuravam na cidade o emprego que os campos não davam.
Nunca ninguém se preocupou com o perigo quando, há 20 anos, os Boeing 747 sobrevoavam em vôo rasante o bairro de pré-fabricados do Relógio, antes de tocarem o chão de Lisboa. O bairro do Cambodja, de que poucos recordarão o nome de má memória, deu lugar hoje a um orgulhoso campo de golfe, o único da cidade, de onde se tem uma das melhores perspectivas do aeroporto. E eu até penso que, se calhar, o barulho dos aviões começou a perturbar as concentradas tacadas.
É inegável a importância estratégica de um aeroporto para uma cidade. Ainda por cima, uma cidade periférica cujo cartão de visita reside no turismo. Lisboa precisa de manter um aeroporto de pequena dimensão. Mas a despeito do romantismo das recordações, eu não quero um aeroporto com a dimensão do aeroporto internacional da Portela no centro de Lisboa. Não quero imaginar a brutalidade de um eventual acidente numa zona residencial e penso que toda a área envolvente é penalizada pelo ruído e pela intensidade de tráfego desnecessariamente.
Não sei se o novo aeroporto internacional de Lisboa deva ir para a Ota ou para Rio Frio (até prova em contrário defendo a Ota), mas defendo e desejo que seja qual for a opção se decida rapidamente.
Habituei-me à presença do aeroporto na minha Lisboa Oriental. Aquela de que os governantes da cidade se esqueceram durante meio século. No meio do lixo, da degradação urbana, dos contentores a separar-nos do rio, o aeroporto era a única estrutura de referência para lá de Santa Apolónia. Mais do que a porta de entrada na nossa cidade, era a porta de entrada no nosso País dos ricaços de uma Europa que julgávamos distante. E mesmo que fosse a correr, eles tinham de chegar à rotunda do Relógio para encontrar o centro da cidade.
O nosso olhar para Santa Apolónia, o velhinho convento de freiras adaptado às exigências industriais da época do transporte, era diferente. Muito mais próximo, porque era à velha estação ferroviária de Lisboa que íamos com frequência buscar os tios de França ou da Alemanha, do Alentejo ou das Beiras.
A cidade, de repente, descobriu o seu lado oriental, cresceu e embelezou-se, e o aeroporto ficou a mais. E perigoso. No limite dos concelhos de Lisboa e de Loures, inserido na fatia territorial mais povoada dos dois concelhos, o aeroporto da Portela é hoje uma zona de risco. Mas já o era há 20 anos.
Tanto do lado de Loures como de Lisboa cresceram bairros clandestinos e de habitação degradada durante a segunda metade do século passado. E foi à volta do aeroporto - onde havia espaço livre ou vazios urbanos' - que se foram concentrado os milhares de refugiados laborais que procuravam na cidade o emprego que os campos não davam.
Nunca ninguém se preocupou com o perigo quando, há 20 anos, os Boeing 747 sobrevoavam em vôo rasante o bairro de pré-fabricados do Relógio, antes de tocarem o chão de Lisboa. O bairro do Cambodja, de que poucos recordarão o nome de má memória, deu lugar hoje a um orgulhoso campo de golfe, o único da cidade, de onde se tem uma das melhores perspectivas do aeroporto. E eu até penso que, se calhar, o barulho dos aviões começou a perturbar as concentradas tacadas.
É inegável a importância estratégica de um aeroporto para uma cidade. Ainda por cima, uma cidade periférica cujo cartão de visita reside no turismo. Lisboa precisa de manter um aeroporto de pequena dimensão. Mas a despeito do romantismo das recordações, eu não quero um aeroporto com a dimensão do aeroporto internacional da Portela no centro de Lisboa. Não quero imaginar a brutalidade de um eventual acidente numa zona residencial e penso que toda a área envolvente é penalizada pelo ruído e pela intensidade de tráfego desnecessariamente.
Não sei se o novo aeroporto internacional de Lisboa deva ir para a Ota ou para Rio Frio (até prova em contrário defendo a Ota), mas defendo e desejo que seja qual for a opção se decida rapidamente.
quinta-feira, junho 07, 2007
Coisas de que gosto
Ter esperança. O copo meio cheio. Pessoas inteligentes. Escrever. Ver e sentir. A primeira chuva depois do Verão. O entardecer em Monsaraz e em Vila Nova de Cerveira. O imenso mar dos Açores. O lhéu de Vila Franca do Campo visto do Monte Escuro. As caminhadas por onde os pés me levem. Tomar banho às oito da noite na Caldeira Velha. O Pico visto de S. Jorge. A neblina das Flores. Comer e beber com amigos. Vinho tinto. Ouvir os cucos a desoras em Montesinho. A comida do Manel. Os meus bichos. As minhas pessoas. A verdade. A lealdade. A vida. (em actualização permanente)
Etiquetas:
O meu mundo
Coisas que detesto
A mentira, a hipocrisia e as coisas inúteis que me fazem perder tempo.
Etiquetas:
O meu mundo
quarta-feira, junho 06, 2007
Todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros
O Estado não vai financiar a campanha para as eleições intercalares na câmara de Lisboa, porque a Lei não prevê a existência desse tipo de subvenção específica. Curiosamente, a lei prevê, necessariamente, a possibilidade de realização de eleições intercalares. Parece que alguém se esqueceu de alguma coisa.
A decisão, comunicada ao presidente do Parlamento, consta de um parecer jurídico da Procuradoria-Geral da República.
O facto de não haver uma subvenção estatal para financiar a campanha eleitoral obrigará, assim, os partidos políticos e as listas de independentes a suportarem todos os custos de campanha. E obviamente todos percebemos quem sairá mais prejudicado com esta decisão.
Na linha de partida todos os candidatos são iguais, mas com a ajuda legítima da Lei parece haver uns mais iguais que outros. Há algo de incongruente neste caso.
A decisão, comunicada ao presidente do Parlamento, consta de um parecer jurídico da Procuradoria-Geral da República.
O facto de não haver uma subvenção estatal para financiar a campanha eleitoral obrigará, assim, os partidos políticos e as listas de independentes a suportarem todos os custos de campanha. E obviamente todos percebemos quem sairá mais prejudicado com esta decisão.
Na linha de partida todos os candidatos são iguais, mas com a ajuda legítima da Lei parece haver uns mais iguais que outros. Há algo de incongruente neste caso.
terça-feira, junho 05, 2007
Vontades prisioneiras do tempo
Logo que nasci,
fecharam-me em mim.
Ah, mas eu fugi!
in Fernando Pessoa
Às duas por três, vivemos,
Às duas por três, morremos
E a vida? Não a vivemos.
in Alexandre O'Neill
fecharam-me em mim.
Ah, mas eu fugi!
in Fernando Pessoa
Às duas por três, vivemos,
Às duas por três, morremos
E a vida? Não a vivemos.
in Alexandre O'Neill
Etiquetas:
poesia
As minhas primeiras cerejas do Verão

Hoje, finalmente, comi as minhas primeias cerejas deste ano e, de tão saborosas e maduras, souberam-me ao Céu. Pedi os desejos da praxe e era capaz de ficar a tarde toda naquilo. Foi numa tasca do centro da minha cidade. São servidos?
Etiquetas:
fruta
O primeiro dia

Em Espanha não se pode fumar em estabelecimentos comerciais e, por isso, não encontrei em Sevilha um único dístico a interditar o fumo. Pelo contrário, encontrei em várias lojas o cartaz que a foto documenta, autorizando que os clientes fumassem nas suas instalações.
Eu, fumadora, não podia estar mais de acordo. A regra deve ser mesmo a discriminação negativa, impedindo os fumadores de atacarem a liberdade dos outros. A excepção deve ser a discriminação positiva, permitindo o fumo. Contra mim falo que, por mero comodismo, acendo o cigarro a seguir às refeições, mesmo sabendo que no restaurante haverá pessoas a comer. E faço-o porque me é permitido fazê-lo. Por isso, não podia estar mais de acordo com os espanhóis. Além disso, como qualquer outro vício que nos agarra e nos tolhe a vontade por dentro, o primeiro dia para o esquecer é sempre o mais difícil.
segunda-feira, junho 04, 2007
Duas dúzias de paciência, faz favor
Vou deixar de ler notícias. Ah, é verdade, não posso. São o meu ganha pão. Mas em dias como hoje, sinceramente, esperava notícias diferentes. Por exemplo, daquela que me diz que o governo prepara um projecto de lei para contrariar administrativamente a vontade eleitoral dos cidadãos ou de não recordar que um chefe (que a Terra lhe dê paz) me disse, há 18 anos, que mil tombados em Tiananmen significavam apenas dois ou três em Lisboa.
Há dias em que esperava notícias melhores.
Há dias em que esperava notícias melhores.
Etiquetas:
desafios,
jornalismo
domingo, junho 03, 2007
Esta Lisboa que amo, da outra margem
No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
Em Alfama, descanso o olhar
E assim se desfaz o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
(...)
Um abraço para o olhar do Pisca sobre Lisboa

Etiquetas:
Lisboa
Opções
Atravessei o deserto e, até prova contrário, não virei camela. E talvez um dia, quem sabe, escolha definitivamente ir viver para o deserto. Há sempre uma esperança.
Etiquetas:
O meu mundo,
Ota
sábado, junho 02, 2007
Adivinha






Pago um café a quem adivinhar, primeiro, que cidade é esta. Deixo algumas dicas: Não conhecia (há coisas assim). É quente. Diria eu que é caliente demais às dez da manhã, de uma manhã primaveril. Gosta de Jacarandás, quase tanto como Lisboa. Quase todo o centro histórico monumental está reservado ao peão. Por todo o lado circulam bicicletas, charretes e outros veículos não motorizados. Por qualquer lado por onde se ande, chega-nos o som de música tocada por artistas de rua. Cruzamo-nos com artistas circenses em diversas representações. E de repente alguém nos oferece uma geribéria laranja, durante a campanha publicitária de uma loja. (As fotos das árvores, no post em baixo, também são desta cidade)
Etiquetas:
Cidades
As árvores e os critérios das câmaras

Há cidades que preservam as suas árvores históricas. E não se pense que, nesta cidade, apenas estas duas são árvores centenárias. Vi muitas hoje. E não deixei de reparar que apesar de terem um ar mais doente do que os plátanos e jacaranás que a câmara de Lisboa cortou no Campo Pequeno, a estas árvores idosas - como às outras que iluminam esta cidade - o município local protege-as.
Etiquetas:
árvores,
Cidades,
jacarandás
Novidades do deserto
Hoje fui ao encontro da madrugada e rumei para Sul. O deserto é perigoso com o Sol. Enquanto o automóvel devorava paisagem, procurava alguma vivalma, mas nada. Absolutamente ninguém. E estava eu a pensar que, afinal, o ministro Mário Lino estava certo quando olhei para o relógio: eram quatro da manhã.
Etiquetas:
Lisboa.Ota
sexta-feira, junho 01, 2007
O primeiro direito...
O dia 1 de Junho está quase a acabar. Convencinou-se chamar-lhe Dia Mundial da Criança. Durante todo o dia procurei notícias, vi sítios na Internet, li opiniões. Fiquei a saber de deslocações de ministros a escolas, de figuras públicas em iniciativas com crianças. Foi bonito. Em lado nenhum, porém, li hoje que o primeiro direito da criança é ser desejada. É bom lembrar, para não esquecer.
Etiquetas:
crianças
Os candidatos, as propostas e os jornalistas
António Carmona Rodrigues, candidato a presidente da Câmara de Lisboa, optou por andar na rua em acções de pré-campanha eleitoral, sem qualquer jornalista a acompanhá-lo. Diz o candidato que dessa forma, (e cito o Público online) os contactos com a população são mais genuínos. É estranha esta concepção que o presidente da câmara revela ter da Comunicação Social.
António Costa não quer mais portagens à entrada de Lisboa e para solucionar o excesso de automóveis no coração da cidade, o candidato socialista diz que a solução passa por desviar da Baixa pombalina o tráfego que segue para Belém e para a Expo (Parque das Nações, dr. António Costa). Continuei a ler a notícia, mas acredito que não foi por culpa do jornalista que não encontrei a explicação de António Costa para desviar o tráfego da baixa. Será uma ponte, um túnel. Como o fará?
Os sons que queremos ouvir
Chove...
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove...
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama
in Jose Gomes Ferreira, poeta maior esquecido
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove...
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama
in Jose Gomes Ferreira, poeta maior esquecido
Etiquetas:
poesia
As contas de 'sumir' das finanças públicas
O ministro das Finanças, finalmente, veio esclarecer os portugueses sobre os 700 milhões irregulares nas contas do Estado e disse qualquer coisa como isto: É um número que impressiona, mas representa apenas 1% da despesa total do Estado. Era mesmo o que eu precisava de ouvir.
Etiquetas:
dinheiros públicos
Sempre a pintar a manta
Deu-me assim para me refrescar nas linhas geométricas e rigorosas da pintura do Manuel Neto, meu camarada de profissão, agora dedicado a 100% à pintura. Meu gémeo na vida, no signo e nas escolhas. Ainda que distantes, sempre lado a lado.(à esquerda, Cartas; à direita, Regata, em baixo Galo)

Etiquetas:
pinturas
Subscrever:
Mensagens (Atom)



