terça-feira, agosto 07, 2007

Pelas margens frescas do Homem, no Gerês

O Rui Barbosa está a organizar aquele que poderá ser o seu último passeio organizado às Minas dos Carris, no Gerês. É no dia 18 de Agosto e os interessados em participar só têm de o comunicar por email.
"(...)A Caminhada Histórica às Minas dos Carris tem como objectivo dar a conhecer aquele canto singular do Parque Nacional da Peneda-Gerês. A participação nesta caminhada não tem qualquer custo de inscrição mas o número de pessoas a incluir no grupo tem de ser necessariamente limitado. Quem desejar participar ou obter mais informações deverá enviar um e-mail para rcb@netcabo.pt.
A proposta que é feita é a de juntar um grupo de pessoas que estejam interessadas em caminhar o Vale do Alto Homem e percorrer as ruínas do antigo complexo mineiro de Carris e das Sombras. Como ponto extra poderemos adicionar uma ida ao ponto mais alto da Serra do Gerês, o Pico da Nevosa, caso haja tempo para tal.
O programa proposto é o seguinte:

7.00 - Concentração em Braga em frente à Bracalândia.
7.15 - Saída em direcção às Caldas do Gerês.
8.00 - Pequeno-almoço nas Caldas do Gerês (Café Ramalhão).
8.30 - Saída em direcção à Portela do Homem.
9.00 - Início da caminhada até às Minas dos Carris.
12.30 - Chegada às Minas dos Carris. Almoço. Visita às ruínas das Minas dos Carris.
16.00 - Regresso à Portela do Homem pelas Minas das Sombras.
20.30 - Regresso a Braga.

O regresso pelas Minas das Sombras só será feito se as condições físicas e meteorológicas o permitirem!

A dor de Timor

É extraordinário o que se passa em Timor. E mais extraordinário o silêncio português. Um partido ganha as eleições e o presidente convida os derrotados para formarem governo. Será uma espécie de nova democracia ou teremos de voltar a pôr paninhos brancos nas janelas?

Nostalgias de Verão II

O mais belo poema em língua portuguesa, escrito pelo José Carlos Ary dos Santos e imortalizado na voz do Carlos do Carmo.

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste, o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite, uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.

Nostalgias de Verão

Enquanto foi só um bom momento deu
Enquanto foi só um pensamento meu
Deus, deu só num caso forte a mais.
Enquanto se achava graça ao que se escondeu
E a horas eram mais longas do que a verdade
Fez p'ra ser só outro caso mais.
Enquanto for só ter nura de Verão
Eu vou,
Enquanto a excitação der para um carinho
Eu dou.
Traz uma leveza
Ah, mas concerteza
Eu dou
Um outro melhor bom dia.
Já trocámos nortadas por vento sul
Enquanto demos risadas foi-se o azul
Nem sei qual deles foi azul demais.
Mas não ficará só a sensação de cor
Nem sei o que o coração irá dizer de cor
Se o Inverno for, depois, duro demais.

Trovante, Um caso mais

Foi sem mais nem menos
Que um dia selei a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que me deu para abalar sem destino nenhum
Foi sem graça, nem pensando na desgraça
Que eu entrei pelo calor
Sem pendura, que a vida já me foi dura
P´ra insistir na companhia

O tempo não me diz nada
Nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
A ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa
Não partiu para parte incerta
Viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
Sem paredes, sem ter portas nem janelas
Nem muros para derrubar
Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre
Curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
De uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
Só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
E com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu
Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre

Trovante, 125 Azul

Lembras-me uma marcha de lisboa
Num desfile singular,
Quem disse, que há horas e momentos p´ra se amar
Lembras-me uma enchente de maré
Com uma calma matinal
Quem foi, quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal
As memórias são como livros escondidos, no pó
As lembranças são os sorrisos que queremos rever, devagar
Queria viver tudo numa noite, sem perder a procurar
O tempo, ou o espaço
Que é indiferente p´ra poder sonhar
Quem foi que provocou vontades
E atiçou as tempestades
E amarrou o barco ao cais
Quem foi, que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais

Trovante, Memórias de um beijo

A insustentável leveza das saudades

O meu Dani está, pela primeira vez, numa colónia de férias e a casa, de repente, ganhou a dimensão de uma mansarda. Se não me ponho a pau, a sopa ainda chega fria à sala.

domingo, agosto 05, 2007

Chover, de repente, em Agosto

Ontem, pouco antes da noite chegar, assim de repente, abateu-se sobre a cidade uma chuva forte, que arrefeceu o chão e deixou no ar um leve aroma de terra molhada.
Gosto das refrescantes chuvas de Agosto, mas recordo-me que, quando era garota, costumavam chegar mais para o final do mês.
Cinco minutos depois da chuva passar ficou tudo seco. E a tempo de o dia impôr os últimos raios de Sol, por cima da Ponte Vasco da Gama, antes da chegada de uma Lua vermelhona a deixar de ser Cheia.
Foi à beira do meu Tejo. O cão e o rio Grande.

O verde dos Jacarandás

Estão frondosos de verde os Jacarandás neste início de Agosto. E com esforço ainda vislumbramos em algumas árvores da Barata Salgueiro alguns cachos de lilázes poupados aos ventos de Verão. Para matar saudades da explosão de Maio e Junho.

sábado, agosto 04, 2007

Sofrimento psicológico

Mais de um quarto dos portugueses (27,6%) com mais de 15 anos padece de sofrimento psicológico e mais de 12% das pessoas admitiram ter problemas de saúde mental (depressão ou ansiedade crónica). Os dados são revelados hoje pelo jornal Público e assentam nos resultados do último inquérito nacional de saúde. Mas aqui também se diz que mais de metade da população (53,2%) considera o seu estado de saúde como muito bom ou bom, que continua a aumentar a proporção de pessoas que afirmaram ter ingerido bebidas alcoólicas no último ano e que foram as mulheres que mais contribuíram para esse aumento.
São números curiosos estes.
O sofrimento psicológico é silencioso e, como a ferrugem, vai corroendo todas as esperanças, todas as vontades. É alicerçado num dia-a-dia de desilusões, de contrariedades, de stress permanente e angustiante, passando pela apatia do encolher de ombros e do já não querer ver. Amigos médicos têm-me dado conta da quantidade de pessoas que aparecem no consultório com um qualquer queixa física quando, de facto, o único mal de que padecem é não terem quem os escute.
Precisamos de falar e há cada vez menos quem nos queira escutar. Com o tempo sempre em conflito com a nossa vontade.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Espanto


Praia da Foz, Sesimbra

sexta-feira, julho 27, 2007

Tempos de conflito

Começo a acreditar que somos conflituosos por natureza. Tudo nos serve para causar atrito e à mínima coisa salta-nos a mola. Gastamos energia demais com coisas que só nos desgastam, resistimos gratuitamente à mudança e, por vezes, somos malcriados e até insultuosos com os outros. Não temos paciência.
Tirando a parte do insulto, visto o fato completo e acrescento-lhe uma boa dose de irascibilidade, com a qual, a conselho clínico, vou limpando a bílis. Mas há uma coisa que, de facto, me tira do sério: aperceber-me que vem alguém atrás de mim, num centro comercial por exemplo, e ter o cuidado de segurar a porta para que a essa pessoa não leve com o vidro no nariz. É certo que já recebi muitos obrigado, mas na maioria dos casos as pessoas passam por mim, a segurar-lhes a porta, como se fosse transparente.
Depois da estupefacção, comecei eu a agradecer a oportunidade que me deram de as servir e como surpresa acumula surpresa percebi que as pessoas nem ouvem. Vai daí, sou mesmo transparente e não sabia.
(E assim se perdem, ingloriamente, tantos traumatismos no nariz).

Os radares e a velocidade de Lisboa

Automobilistas mais zelosos e preocupados com as fotografias dos radares já se começam a mobilizar insultando todos os poderes administrativos contra os radares instalados em algumas ruas de Lisboa.
Tirando a parte do insultos, até poderia compreender. Há vias onde me parece, absolutamente idiota colocar radares de excesso de velocidade, caso do prolongamento da Avenida dos Estados Unidos da América, uma via sem acesso pedonal e em viaduto. Obrigar a circulação a 50 Km/h ali, parece-me não fazer sentido algum como, pelo contrário, fomenta uma situação de risco acrescido, porque toda a concepção da via, com separador central e três largas faixas de rodagem, induz a uma via de circulação rápida e de escoamento de tráfego.
Já tenho menos sensibilidade para perceber as críticas em relação a outros locais, percursos completamente urbanos, atravessados constantemente por peões.
É impressionante como algumas pessoas, pressionadas pelo valor do dinheiro, reagem contra as regras. Mas sempre fazendo passar uma aura de bom senso e de civilidade. Foi assim com o álcool, é assim agora com a velocidade. Há 1o anos morriam 2000 mil pessoas por ano em Portugal em resultado de acidentes. O Estado era acusado de não se preocupar e o acidente de viação era uma fatalidade que só acontecia aos outros.
Hoje morrem pouco mais de 1000 pessoas nas estradas e continuamos a ser dos condutores mais desregrados e mais indisciplinados.
Ainda não vi nenhum destes zelosos condutores, que se apressaram a assinar insultuosas petições online, preocupado com o facto de mais de mil e tal automobilistas terem sido apanhados a circular a mais de 80 km/h na Avenida Infante D. Henrique, por sinal uma das vias de Lisboa onde o índice de atropelamentos é maior.

terça-feira, julho 24, 2007

Sem Norte

Ando há um mês à bulha com o GPS e ainda não me consigo orientar.
Não sou de insultar pessoas, mas acho até que a Catarina é mesmo tonton, pois quando a mando ir para a Rua da Glória ela indica-me a Rua da Alfândega e diz displicentemente: "Chegou ao seu destino". Talvez tivesse mais mais sorte com o Joaquim, mas a minha opção não foi essa.
Como a conservadorona que me orgulho de ser, estou em vias de voltar a pegar no mapa do ACP e nas cartas militares quando me quiser meter em aventuras. É que este meu fraco pela tecnologia, está-se a revelar uma fraqueza.

As duas faces dos erros: os públicos e os privados

O Ministro das Finanças, de tarde, reagiu à notícia de manhã do Público e reconheceu que o Ministério das Finanças, sem cobertura legal, cobrou o Pagamento Especial por Conta (PEC) de 2003, às empresas que inciaram a actividade no ano anterior. Como se não bastasse, as empresas faltosas foram notificadas das coimas e algumas chegaram a pagá-las.
O ministro não sabe quantos empresas, nem qual o montante que o Estado arrecadou indevidamente durante estes quatro anos. Mas reconheceu o erro, já não é mau.
Já em relação aos particulares a situação parece-me ser um pouco diferente.
Há dois anos, ao verificar que os meus pais não tinham entregue uma declaração de IRS do ano anterior, zelosa, preenchi a declaração e entreguei-a nas finanças. Naquele ano, o rendimento e a situação dos meus pais não carecia da obrigatoriedade daquela declaração, mas fui informada de que teria de a preencher na mesma.
Qual não foi o meu espanto quando, seis meses depois, os meus pais receberam uma coima de 50€ relativa à entrega da declaração fora de prazo. E lá andei eu em bolandas, com requerimentos atrás de requerimentos, justificando que fora mal informada quando me disseram que tinha de preencher a declaração, quando, de facto, não tinha.
A serem multados, os meus pais seriam mas apenas pelo excesso de zelo da filha.
E ainda aguardo. Ou a coima com juros ou a carta da Administração Fiscal reconhecendo o erro no processamento da multa, que ao que parece "é automático".

segunda-feira, julho 23, 2007

O dever de protecção de um pai

Um pai "porreiraço" decidiu levar o filho de 10 anos às tradicionais festas de San Firmin, caracterizadas pela célebre largada de touros pelas ruas da na cidade espanhola de Pamplona.
Um repórter fotográfico do El Mundo fixou na objectiva a imagem de pai e filho a correrem à frente de um touro. A foto correu mundo. A mãe do menor não gostou do que viu e denunciou a atitude irresponsável do pai, a quem a lei confere poderes especiais de protecção do filho, até aos 18 anos.
As autoridades deram razão à mãe e proibiram o pai de se aproximar do menor (que passava férias com ele), por considerarem que o pai não salvaguardou os superiores interesses da criança, expondo-a desnecessariamente a uma situação de perigo - As festas de Pamplona terminam, normalmente, com um rasto de feridos e mortos (nos últimos anos contabilizaram-se 13 mortos).

Hoje leio nos jornais que apesar de condenado por violação do seu dever de prudência, enquanto progenitor, o pai da criança foi agora recebido como um herói pelos convivas de Pamplona, que o homenagearam com vivas num estádio qualquer.
Perante isto, nada, mas mesmo nada, me pode já surpreender.

domingo, julho 22, 2007

Anedota

As confederações patronais querem voltar a despedir os trabalhadores por motivos políticos ou ideológicos. José Socrates "nem quer acreditar".
Fixe. Assim faz de conta que não aconteceu nada. Aliás, há notícias que só valem pelo título. Como esta.

O milagre da duplicação dos meninos

O primeiro-ministro resistiu a decretar políticas de apoio à maternidade.
Os autarcas, sobretudo os do interior desertificado, há muito que enveredaram por políticas de descriminação positiva, procurando fixar população nos seus pobres territórios. Apesar dos apoios residuais, na maioria apenas simbólicos - 500 ou 1000 euros - foram alvo de críticas e acusados quererem fazer depender o nobre acto da concepção do vil metal.
A Administração Central do Estado foi a primeira a torcer o nariz a tais políticas. Já o mesmo não aconteceu em outros Estados, muito menos Nação do que o nosso. O apoio concedido por alemães - segundo creio 5000 mil euros por cada filho - e por espanhóis -2500 euros por criança - entrou no ouvido dos portugueses, sempre muito dados ao som dos números.Do lado de lá do risco da fronteira - que para José Saramago tem cada vez menos razão de existir -o José espanhol achou mesmo que o apoio à maternidade era um desígnio do Estado. e terá sido o suficiente, para o nosso José compreender e tirar o coelho da cartola, com a surpresa que convém à magia, durante o apropriado debate do Estado da Nação, em fim de sessão legislativa.
Juntando à revelação, a preocupação política com o envelhecimento social, o primeiro-ministro disponibilizou a antecipação do abono de família nos últimos seis meses de gravidez e o aumento substancial do apoio do Estado para quem tenha mais de um filho.
Parece-me bem.
E pela minha parte já estou em bicos de pés. Agora só não sei se devo ir já para a Terrugem de Baixo ou engravidar primeiro.

terça-feira, julho 17, 2007

Portugal, Portugal, Madeira à parte

As mulheres madeirenses que decidam interromper a gravidez até às dez semanas não o podem fazer na Região Autónoma, porque o presidente do Governo Regional, disse-o categoricamente, não disponibiliza os meios da região para fazer cumprir uma lei da República. As mulheres também não podem vir ao Continente fazê-lo porque não há há protocolo nesse sentido entre a Administração central e a Regional.
Portanto, uma das leis da República não se cumprirá numa zona do País e os cidadãos residentes nessa zona ficam excluídos do cumprimento dessa lei.
Há alguma coisa aqui que me faz crer que a RAM é um território independente de Portugal, que na gíria popular se designa por República das Bananas.

segunda-feira, julho 16, 2007

Flashes da noite eleitoral

  • A vitória do Partido Socialista em Lisboa festejada por simpatizantes do PS, mobilizados pelo partido desde o Norte do País, revela bem o entusiasmo dos lisboetas com a participação cívica e a vida política da sua cidade.
  • O terceiro lugar de Fernando Negrão, nas preferências dos lisboetas, apesar dos dislates do candidato sobre as estruturas administrativas da cidade e do País, mostra a fidelidade de um certo eleitorado PSD, que vota sempre na setinha a apontar o Céu, independentemente do cabeça de lista em causa.
  • Sem máquina partidárias a apoiá-los, os independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta, juntos, conseguiram quase tantos votos (32 mil e 20 mil respectivamente) como o vencedor António Costa (quase 58 mil)
  • A manutenção dos dois vereadores da CDU, Ruben Carvalho e Rita Magrinho, que nenhuma sondagem indicava.
  • A eleição de dois vereadores pelo Movimento Cidãdãos Por Lisboa - Helena Roseta e Manuel João Ramos.
  • A saída do CDS/PP do executivo da câmara

A paz em Lisboa

Lisboa à noite, serena. Desconheço a autoria da foto, portanto não a posso evocar. Recebi-a há muito tempo por email e guardei-a, como faço com tudo o que tem significado para mim. Agora deu-me vontade de a partilhar, provavelmente para me lembrar do meu amor por esta cidade e pelas suas pessoas. Só os que amamos nos conseguem magoar.

O sentir do BB sobre Lisboa

Com a vénia devido ao meu amigo e mestre Baptista Bastos, reproduzo a sua lúcida crónica no DN de hoje:
"A direita não sofreu uma derrota calamitosa, como afirmaram alguns preopinantes, tendo em conta que Carmona e Negrão obtiveram resultados surpreendentes. O facto, sendo um princípio de perplexidade, não deixa de fornecer o retrato inquietante do grau de exigência do eleitorado. E falhou, também, neste resultado, o princípio segundo o qual não se repete aquilo que não existe. E a vitória do PS parece-me representar o desespero de causa de um eleitorado que já nada sabe o que fazer, a não ser tentar atenuar o seu calvário.
O fenómeno Helena Roseta corresponde a outra procura. De quê? De qualquer perspectiva num teatro de sombras, que somente singulariza uma pequena revolta, simpática, sem dúvida, porém equívoca. O "sistema" manteve-se, intacto, tal como o pretendem os partidos, os interesses, os territórios de domínio. Manteve-se e funcionou na banalidade imperturbável, com as suas pequeninas religiões, as suas liturgias, as suas intermináveis transições de um lado para o mesmo lado.
Evidentemente, António Costa irá mexer em alguma coisa, mas tudo desemboca em múltiplas incertezas, uma das quais incide sobre os entendimentos pós-eleitorais. Nada de sobressaltos infundados. Nada de expectativas muito amplas. Costa foi o número dois num Governo que tem praticado malfeitorias inomináveis. Não acredito neste PS, porque não interpreta os valores da Esquerda: deixou de possuir imperativos morais, convicções, decência e projectos alternativos.
Eis porque não foi a Esquerda que ganhou a Câmara.