É oficial, o velho jacarandá da Rua Barata Salgueiro já tem os primeiros cachos de flor da época.
Estamos a 27 de Abril e a floração deveria iniciar-se lá para os fins de Maio.
domingo, abril 27, 2008
Nostalagias
Em manhã de calor na minha cidade consegui ouvir na rádio hoje de manhã, tudo de seguida, We are the world, Homeless e o Enola Gay. E senti-me a garota de há 20 anos atrás.
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O meu mundo
sábado, abril 26, 2008
Cada chefe, cada ... amigo que nós temos
Ao longo da minha vida profissional, como na pessoal, tenho encontrado grandes mestres. De sabedoria inquestionável, de um humanismo genuíno que não se traduz em grandes feitos, mas tão somente nos feitos do dia-a-dia. Aprendi e continuo a aprender com eles. Aprenderei sempre, porque fui educada a acreditar que todos nos completamos no saber.
Mas mais importante do que o saber, aprendi com os meus mestres a respeitar os outros. Esse respeito que não passa pelas discussões, mais ou menos acaloradas pelo vigor do trabalho, mas pelo carácter das pessoas.
O chefe, mesmo a quem se lhe reconhece grande sabedoria, de nada serve se não granjear o respeito dos seus pares, sobretudo daqueles que dirige. Claro que há chefes que entendem que o respeito advém do estatuto ou, talvez, do poder 'divino' de que foram investidos. A História está cheia de maus exemplos destes. É medíocre, o chefe que se impõe pela autoridade e não pelo respeito. E mais tarde ou mais cedo a medíocridade revelar-se-á.
Nos tempos que correm, em que os profissionais das diferentes áreas asseguram a cadeia de produção do seu próprio trabalho, sobra pouco para os chefes que querem brilhar pela sua mão de ferro. Hoje em dia, uma liderança eficiente só se afirma pela gestão de recursos, meios e pessoas.
Eu que sou optimista acho que é uma espécie em vias de extinção, para bem das organizações.
Mas mais importante do que o saber, aprendi com os meus mestres a respeitar os outros. Esse respeito que não passa pelas discussões, mais ou menos acaloradas pelo vigor do trabalho, mas pelo carácter das pessoas.
O chefe, mesmo a quem se lhe reconhece grande sabedoria, de nada serve se não granjear o respeito dos seus pares, sobretudo daqueles que dirige. Claro que há chefes que entendem que o respeito advém do estatuto ou, talvez, do poder 'divino' de que foram investidos. A História está cheia de maus exemplos destes. É medíocre, o chefe que se impõe pela autoridade e não pelo respeito. E mais tarde ou mais cedo a medíocridade revelar-se-á.
Nos tempos que correm, em que os profissionais das diferentes áreas asseguram a cadeia de produção do seu próprio trabalho, sobra pouco para os chefes que querem brilhar pela sua mão de ferro. Hoje em dia, uma liderança eficiente só se afirma pela gestão de recursos, meios e pessoas.
Eu que sou optimista acho que é uma espécie em vias de extinção, para bem das organizações.
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liderança
sexta-feira, abril 25, 2008
25 de Abril SEMPRE
Eu sou uma criança de Abril.O que sou hoje agradeço aos meus pais que me criaram e, felizmente, ainda hoje estão presentes em todos os momentos.
O que sou devo-o aos meus professores, que me ensinaram desde sempre que na escola não iria aprender só a ler e a escrever, mas sobretudo aprenderia a ser gente.
O que sou devo-o ainda aos meus amigos e conhecidos, que me ensinaram a diferença entre uns e outros.
Mas o que sou - o que indiscutivelmente fez a grande diferença na minha vida - devo-o a um grupo de homens que não conheço, mas que me deixaram um País onde podia crescer e falar em liberdade, onde apenas sou responsabilizada pelos meus actos e não pelas minhas opiniões.
Sou jornalista e escrevo em liberdade.
Esta é herança que recebi e que sob compromisso de honra quero deixar aos meus filhos.
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liberdade
quinta-feira, março 27, 2008
O desafio

Há dias em ficamos assim, indecisos entre subir, descer ou, simplesmente, ficar. Todas as decisões nos obrigam a escolher. Como num equação matemática, adicionando vantagens ou desvantagens, subtraíndo medos e fantasmas. No final de contas, o que importa mesmo é que as escadas estão ali e é preciso subi-las. Ou descê-las.
Imagem retirada daqui www.photografos.com.br/exibirfoto.asp?id=14553
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O meu mundo
O calhau azul caído dos céus
A notícia mais surpreendente do dia de ontem: um carteiro apanhou o susto da sua vida, quando uma pedra de gelo azul, vinda sabe-se lá de que universo, lhe ia caindo em cima. A despeito do aquecimento global que se faz sentir cá por estas bandas e destas alterações climáticas dos tempos modernos, este gelo revela desde logo uma anormal tendência para não se esvaír em água, uma vez que cinco horas depois, quando o carteiro voltou ao local, o calhau ainda pesava mais de meio-quilo.
E estava eu para aqui a pensar, 'pronto, eis uma evidência científica de que não estamos sós nos céus', quando de repente um dirigente da Associação de Pesquisa OVNI afirma convictamente que 'nada disso, não senhor". O fenómeno, afiança o sr. Luis Patrício, não tem nada a ver com OVNIS, deve ser mesmo é um efeito atmosférico qualquer.
Ora bolas.
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ovnis
A descida do IVA
O ministro das Finanças recomenda aos agentes económicos que façam refletir a descida de 1% do IVA nos preços de venda aos consumidores.
Os consumidores aplaudem e, finalmente, podem começar a gastar fartazana.
Bem sei que este abrir mão de 1% do IVA significa para o Estado não encaixar cerca de 200 milhões de euros, mas vale de alguma coisa?
Alguém pensa que os comerciantes, vergados sob uma recessão económica cujo fim não se vislumbra, vão fazer diminuir 1% o preço de venda dos produtos? E mesmo que o fizessem, que impacto teria isso no bolso do consumidor?
Ajuda os comerciantes da da linha de fronteira com Espanha, sabendo-se que o IVA do lado de lá continua agradavelmente nos 16%?Também não me parece.
Para corrigir a 'loucura' do défict excessivo, o Estado aumentou o IVA de 19% para 21%. O mínimo que se esperava agora era a reposição das condições que existiam quando o défict estava controlado. Tal como parece estar agora.
Não o fazendo, mais valia por agora estar quieto e assumir já, sem falsos pudores de virgem imaculada, a descida dos impostos apenas em ano de eleições. Ou seja para o ano.
Os consumidores aplaudem e, finalmente, podem começar a gastar fartazana.
Bem sei que este abrir mão de 1% do IVA significa para o Estado não encaixar cerca de 200 milhões de euros, mas vale de alguma coisa?
Alguém pensa que os comerciantes, vergados sob uma recessão económica cujo fim não se vislumbra, vão fazer diminuir 1% o preço de venda dos produtos? E mesmo que o fizessem, que impacto teria isso no bolso do consumidor?
Ajuda os comerciantes da da linha de fronteira com Espanha, sabendo-se que o IVA do lado de lá continua agradavelmente nos 16%?Também não me parece.
Para corrigir a 'loucura' do défict excessivo, o Estado aumentou o IVA de 19% para 21%. O mínimo que se esperava agora era a reposição das condições que existiam quando o défict estava controlado. Tal como parece estar agora.
Não o fazendo, mais valia por agora estar quieto e assumir já, sem falsos pudores de virgem imaculada, a descida dos impostos apenas em ano de eleições. Ou seja para o ano.
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impostos
quarta-feira, março 26, 2008
Preocupações verdes
Parece que há um grupo de portugueses, que já assinou uma petição suportada por uma organização ecologista, preocupado com a eventualidade da gestão da Reserva Ecológica Nacional passar para a competência das autarquias.
A preocupação, se bem percebo, resulta do anátema, que recaí sempre sobre as câmaras, segundo o qual elas se vergam ao peso do betão. E, como tal, a partir do momento que pudessem dispor sobre os terrenos da REN deixariamos de ter áreas verdes, paisagens protegidas, etc.
Acho isto de uma hipocrisia sem fim.
Até agora - e pelo que percebi assim continuará - a gestão da REN tem pertencido à Administração Central, Mas isso significa que temos uma melhor paisagem protegida? Ou florestas mais cuidadas? Que temos menos incêndios ou menos inundações? Ou, quiça até que temos um litoral imaculado dos patos bravos da construção civil?
Parece-me que não. E sinceramente acho que, com algumas limitações de âmbito nacional, os municipios devem poder dispor dos seus territórios. Primeiro porque os conhecem, segundo porque é o governo que está mais próximo das populações e terceiro porque são os goevrnantes locais os primeiros interessados em manter preservadas as suas paisagens naturais.
Sob risco de não o fazendo matarem a galinha dos ovos de ouro, perderem população e investimentos locais.
A preocupação, se bem percebo, resulta do anátema, que recaí sempre sobre as câmaras, segundo o qual elas se vergam ao peso do betão. E, como tal, a partir do momento que pudessem dispor sobre os terrenos da REN deixariamos de ter áreas verdes, paisagens protegidas, etc.
Acho isto de uma hipocrisia sem fim.
Até agora - e pelo que percebi assim continuará - a gestão da REN tem pertencido à Administração Central, Mas isso significa que temos uma melhor paisagem protegida? Ou florestas mais cuidadas? Que temos menos incêndios ou menos inundações? Ou, quiça até que temos um litoral imaculado dos patos bravos da construção civil?
Parece-me que não. E sinceramente acho que, com algumas limitações de âmbito nacional, os municipios devem poder dispor dos seus territórios. Primeiro porque os conhecem, segundo porque é o governo que está mais próximo das populações e terceiro porque são os goevrnantes locais os primeiros interessados em manter preservadas as suas paisagens naturais.
Sob risco de não o fazendo matarem a galinha dos ovos de ouro, perderem população e investimentos locais.
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REN
terça-feira, março 25, 2008
Rácios e estatísticas
O meu Diário de Notícias titula hoje que 'Portugal tem em média um polícia para 227 habitantes', um trabalho dos meus camaradas Alfredo Teixeira e Daniel Lam.
O rácio desperta-me logo uma dúvida sobre o desenvolvimento do meu País: Quantos médicos temos por habitante? E enfermeiros? E professores?
E já agora, quantos centros comerciais? quantos hospitais? quantas escolas?
Era só por curiosidade.
O rácio desperta-me logo uma dúvida sobre o desenvolvimento do meu País: Quantos médicos temos por habitante? E enfermeiros? E professores?
E já agora, quantos centros comerciais? quantos hospitais? quantas escolas?
Era só por curiosidade.
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desenvolvimento
domingo, março 16, 2008
No rebentar da folha, o adeus a Rodrigues Maximiano
Morreu o Procurador Rodrigues Maximiano, o primeiro Inspector-Geral da Administração Interna e um dos mais influentes magistrados do Ministério Público das última década. Na hora da despedida recordo de Rodrigues Maximiano o gosto pela palavra, a grandeza dos gestos e a escolha das gravatas de tons vivos, sempre num hino à alegria.
E recordo-lhe, sobretudo, a irreverência do políticamente incorrecto.
Numa altura em que o País se agitava com os fantasmas securitários, com as cifras negras da criminalidade, com as milicias populares, o Governo socialista reagia prometendo semear polícias municipais em todo o lado.
Sem medo das palavras, Maximiano punha o dedo na ferida, lembrando que o nosso problema não era de falta de polícia. Na Europa, apenas a Itália tinha mais polícias por habitante, que Portugal. O Procurador adivinhava um País de xerifes e confessava não ser apreciador do estilo.
Para Rodrigues Maximiano, bastava que a policia fosse, efectivamente, polícia e deixasse de ficar agarrada a serviços burocráticos em quartéis e esquadras. Por muito que isso não agradasse, ao espectro militarista que ainda dominava as forças de segurança e que tinha direito a dez praças por cada capitão.
Sempre lutando por uma policia de proximidade com os cidadãos. Pela Lei, em deterimento do gatilho. Portugal ficou hoje mais pobre.
E recordo-lhe, sobretudo, a irreverência do políticamente incorrecto.
Numa altura em que o País se agitava com os fantasmas securitários, com as cifras negras da criminalidade, com as milicias populares, o Governo socialista reagia prometendo semear polícias municipais em todo o lado.
Sem medo das palavras, Maximiano punha o dedo na ferida, lembrando que o nosso problema não era de falta de polícia. Na Europa, apenas a Itália tinha mais polícias por habitante, que Portugal. O Procurador adivinhava um País de xerifes e confessava não ser apreciador do estilo.
Para Rodrigues Maximiano, bastava que a policia fosse, efectivamente, polícia e deixasse de ficar agarrada a serviços burocráticos em quartéis e esquadras. Por muito que isso não agradasse, ao espectro militarista que ainda dominava as forças de segurança e que tinha direito a dez praças por cada capitão.
Sempre lutando por uma policia de proximidade com os cidadãos. Pela Lei, em deterimento do gatilho. Portugal ficou hoje mais pobre.
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policia. magistrados
Dupla personalidade
Há uma auréola de fascínio sobre as pessoas que conseguem levar uma vida dupla. Sofrem sobre si mesmas, permanentemente, mas embaladas no doce balanço da felicidade. Cultivam a dupla personalidade e revelam sentir-se bem com isso. Feitas as contas, talvez sejam maiores os ganhos que as perdas. Ou a ilusão do que poderiam ter ganho. Como a princesa que preferiu ser rainha por um dia e abriu mão de todo o Reino que poderia ter.
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O meu mundo
quinta-feira, março 13, 2008
'No pasa nada'
Palavra que uma das coisas que mais impressão me mete é a nossa capacidade colectiva de alienação. Vivemos uma das maiores crises económicas de que há memória na nossa história recente. Todos os dias somos trucidados com notícias sanguinárias, actos tresloucados, acidentes brutais. E resistimos, como se nada fosse. Transportamos essa alienação para o nosso mundo particular e em face dos erros, das dúvidas e das certezas, já nem fazemos de conta que somos fortes e corajosos. Olhamos e no pasa nada. Já deixámos de sentir, nada (nos) importa, só falta saber quando deixaremos de ver e de nos incomodar? Aborrece-me este conformismo amorfo.
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O meu mundo
domingo, março 09, 2008
Crenças

Acho que Espanha fica melhor governada com Zapatero e que os Estados Unidos da América ficariam diferentes se Barak Obama chegasse a presidente. Apetece-me usar - apropriadamente - a máxima dos X Files: I believe!
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O mundo dos outros
sexta-feira, março 07, 2008
O Estado do desassosego
Ouvi o secretário-geral do Partido Popular dizer agora, na RTP1, que se fosse professor também iria à manifestação de amanhã. Que pena Paulo Portas não ser professor, para o vermos a desfilar com indignação. Mas este é um sinal preocupante: então as manifestações e a contestação não são actos de comunas e quejandos?
Bem, qualquer dia, com tantas surpresas, já não me espantaria ver Paulo Portas a fumar!
Bem, qualquer dia, com tantas surpresas, já não me espantaria ver Paulo Portas a fumar!
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coisas espantosas
quinta-feira, março 06, 2008
Desacreditar na Justiça
Retenho da actualidade dos últimos dias uma notícia: os familiares das vítimas da queda da Ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, decidiram, por unanimidade, não apresentar queixa contra o Estado português pela incúria que levou ao desabamento da ponte, em 2001, arrastando para uma morte evitável 59 pessoas.
Mais do que a decisão, observo esta notícia com a mágoa sentida daqueles que perderam os "seus", mas noto, acima de tudo, a descrença absoluta na Justiça. De quem cerra os dentes de raiva e olha para o vazio, atado de pés e mãos.
O porta-voz da associação, que se constituiu a seguir à tragédia, deixou claro que ainda ponderaram pedir uma indemnização simbólica ao Estado, mas abandonaram essa possibilidade, simplesmente porque já não acreditam. Têm motivo para isso.
Na noite de 4 de Março de 2001 uma ponte rodoviária, importante elo de comunicação regional numa zona muito carecida de acessos, desabou como um castelo de cartas, arrastando para as águas do rio Douro um autocarro e três automóveis ligeiros. Na madrugada seguinte, o ministro das Obras Públicas, Jorge Coelho, anunciava a abertura do tradicional inquérito e a seguir demitia-se para que a culpa não morresse solteira.
Do resultado do inquérito, concluiu-se pela existência de muitas incúrias: o desassoreamento desenfreado do rio, a falta de vigilância e manutenção das estruturas e equipamentos rodoviários, o centralismo democrático que ignora as necessidades do País Real, o abandono total e absoluto de zonas economicamente deprimidas. O tribunal, em 2006, não imputou culpas a ninguém. E perante a decisão judicial assumiu-se a fatalidade que só costuma acontecer aos outros. Somos, de resto, o país das fatalidades e do encolher de ombros.
A tragédia virou os holofotes para Entre-os-Rios. A sua dimensão não podia ser escondida. Castelo de Paiva tornou-se quase o centro simbólico do País deprimido a quem era conferida uma nova oportunidade. A administração central piscou os olhos à câmara, incentivou a construção de estradas, apoiou a construção de escolas, a renovação de equipamentos. Para não deixar fugir a oportunidade, a câmara endividou-se mais do que podia, porque se não aproveitasse as condições vantajosas para rasgar outros caminhos, a população nunca mais os teria.
O balanço, volvidos sete anos, é angustiante. O Estado esqueceu o apoio psicológico às vítimas, a câmara -um dos maiores empregadores da região - está à beira da falência, sem possibilidade de gerar receitas próprias e completamente dependente das transferências do Orçamento de Estado, muitas das obras ficaram a meio porque os construtores não se governam com piscar de olhos.
Eu percebo o que os familiares das vítimas sentem quando baixam os braços e dizem ser pessoas de bem, por isso sabem quando parar. E fico a pensar na aplicação da Justiça diária, em casos bem mais comezinhos, mas onde é igual a impotência, a angústia e, por fim, o baixar de braços perante o moinho, que, na prática, é mesmo um gigante aterrorizador.
Mais do que a decisão, observo esta notícia com a mágoa sentida daqueles que perderam os "seus", mas noto, acima de tudo, a descrença absoluta na Justiça. De quem cerra os dentes de raiva e olha para o vazio, atado de pés e mãos.
O porta-voz da associação, que se constituiu a seguir à tragédia, deixou claro que ainda ponderaram pedir uma indemnização simbólica ao Estado, mas abandonaram essa possibilidade, simplesmente porque já não acreditam. Têm motivo para isso.
Na noite de 4 de Março de 2001 uma ponte rodoviária, importante elo de comunicação regional numa zona muito carecida de acessos, desabou como um castelo de cartas, arrastando para as águas do rio Douro um autocarro e três automóveis ligeiros. Na madrugada seguinte, o ministro das Obras Públicas, Jorge Coelho, anunciava a abertura do tradicional inquérito e a seguir demitia-se para que a culpa não morresse solteira.
Do resultado do inquérito, concluiu-se pela existência de muitas incúrias: o desassoreamento desenfreado do rio, a falta de vigilância e manutenção das estruturas e equipamentos rodoviários, o centralismo democrático que ignora as necessidades do País Real, o abandono total e absoluto de zonas economicamente deprimidas. O tribunal, em 2006, não imputou culpas a ninguém. E perante a decisão judicial assumiu-se a fatalidade que só costuma acontecer aos outros. Somos, de resto, o país das fatalidades e do encolher de ombros.
A tragédia virou os holofotes para Entre-os-Rios. A sua dimensão não podia ser escondida. Castelo de Paiva tornou-se quase o centro simbólico do País deprimido a quem era conferida uma nova oportunidade. A administração central piscou os olhos à câmara, incentivou a construção de estradas, apoiou a construção de escolas, a renovação de equipamentos. Para não deixar fugir a oportunidade, a câmara endividou-se mais do que podia, porque se não aproveitasse as condições vantajosas para rasgar outros caminhos, a população nunca mais os teria.
O balanço, volvidos sete anos, é angustiante. O Estado esqueceu o apoio psicológico às vítimas, a câmara -um dos maiores empregadores da região - está à beira da falência, sem possibilidade de gerar receitas próprias e completamente dependente das transferências do Orçamento de Estado, muitas das obras ficaram a meio porque os construtores não se governam com piscar de olhos.
Eu percebo o que os familiares das vítimas sentem quando baixam os braços e dizem ser pessoas de bem, por isso sabem quando parar. E fico a pensar na aplicação da Justiça diária, em casos bem mais comezinhos, mas onde é igual a impotência, a angústia e, por fim, o baixar de braços perante o moinho, que, na prática, é mesmo um gigante aterrorizador.
Feito o luto, importa agora proteger os vivos. E essa é talvez a mais angustiante manifestação de cidadania.
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justiça
Tempo de renovação

Ontem foi dia de faina jardinal. As plantas cá de casa precisavam de atenção, terra nova e galhos aparados. Ficaram lindas. A este Sol que sabe bem, quentinho de Março.
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O meu mundo
sábado, março 01, 2008
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Números redondos

É mais um número redondo neste ano de 2007.
Com os meus agradecimentos àqueles que têm a paciência de ir lendo, solidários com os meus pensamentos ou frontais (graças a Deus!) no debate.
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O meu mundo
O paraíso fiscal nos concelhos do interior
Há muito tempo que os municípios se desdobram em políticas mais ou menos imaginativas para atrair população jovem e activa para os seus territórios, cada vez mais desertos de gente. Subsídios de nascimento e casamento são os exemplos mais conhecidos, mas por esse País fora o Poder Local desdobra-se em políticas de proximidade social: em alguns concelhos pagam-se os infantários, em outros as autarquias atribuem bolsas de estudo aos jovens universitários. Muitas oferecem habitações a casais jovens, vendem terrenos a preços simbólicos ou baixam os impostos municipais (IMI e o IMT).
Há muito tempo que o Poder Local percebeu, no entanto, que além de atrair gente jovem e activa através de políticas de discriminação positiva, é preciso também criar condições de atracção económica para as empresas, geradoras de emprego.
Lembro-me de, há uns meses, um autarca de uma câmara da região da Serra da Estrela, onde acabara de encerrar a multinacional que era o maior empregador da região, me ter dito que tinha consciência de que as políticas de fixação de população não iam chegar: As pessoas telefonam interessadas em receber o subsidio de fixação oferecido pela câmara, mas perguntam-me se ele está associado a algum emprego.
Mais aquela câmara já não podia fazer: além do apoio directo às pessoas, desenvolvia políticas de atracção económica para as empresas: criara uma zona industrial de raiz, ultra moderna, tinha a derrama pelo mínimo e ainda assim vendia terrenos a preços inferiores a um euro. E mesmo assim, a população continuava a diminuir e as empresas não se instalavam.
Com a nova Lei de Finanças Locais, os municípios passaram a ter a faculdade de interferir nos impostos directos recebidos pela Administração Central do Estado, usando ou abdicando de 5% da receita dos IRS dos seus munícipes. Este é o primeiro ano em que o podem fazer, reflectindo-se a decisão municipal no ano de 2008. Os contribuintes desse município sentirão os efeitos da decisão apenas em 2009, quando for feito o acerto de contas do rendimento de 2008.
Cerca de duas dezenas de autarquias já anunciaram a disposição de abdicar de parte ou do todo desses 5% do IRS dos munícipes. Mas noto que, salvo honrosas excepções, têm sido as autarquias mais pobres - de finanças e de gentes - a abdicar da maior fatia do imposto, enquadrando essa decisão nas políticas de incentivo.
Hoje ao ler na manchete de um jornal gratuito que, devido a este conjunto de medidas, os municípios estão a criar paraísos fiscais, não posso deixar de sorrir, com um cinismo declarado. E volto a lembrar-me do autarca da Serra. Parece que os paraísos fiscais estão longe de criar Oásis e talvez precisassem de políticas nacionais de redução de impostos para poderem, de facto, ser competitivos e atraentes, para pessoas e empresas.
Cerca de duas dezenas de autarquias já anunciaram a disposição de abdicar de parte ou do todo desses 5% do IRS dos munícipes. Mas noto que, salvo honrosas excepções, têm sido as autarquias mais pobres - de finanças e de gentes - a abdicar da maior fatia do imposto, enquadrando essa decisão nas políticas de incentivo.
Hoje ao ler na manchete de um jornal gratuito que, devido a este conjunto de medidas, os municípios estão a criar paraísos fiscais, não posso deixar de sorrir, com um cinismo declarado. E volto a lembrar-me do autarca da Serra. Parece que os paraísos fiscais estão longe de criar Oásis e talvez precisassem de políticas nacionais de redução de impostos para poderem, de facto, ser competitivos e atraentes, para pessoas e empresas.
E deixo uma sugestão ao Governo: que tal começar pela redução do IVA, imposto indirecto, que em Portugal é de 21% e em Espanha de 16%?
É que se o IVA fosse gerido pelos municípios, eu não tenho dúvidas de que, pelo menos em toda a linha de fronteira, há muito tempo que o seu valor era inferior ao de Espanha.
E não deixo de reparar no desdém com que a Administração Central do Estado sempre olhou para os subsídios de natalidade até que, face às evidências de uma política demográfica inexistente, ela própria decidiu concedê-los.
É que se o IVA fosse gerido pelos municípios, eu não tenho dúvidas de que, pelo menos em toda a linha de fronteira, há muito tempo que o seu valor era inferior ao de Espanha.
E não deixo de reparar no desdém com que a Administração Central do Estado sempre olhou para os subsídios de natalidade até que, face às evidências de uma política demográfica inexistente, ela própria decidiu concedê-los.
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Municípios,
Política
Uma taxa pouco ecológica
Já todos saibamos que as preocupações ecológicas são politicamente correctas. Fica bem a qualquer governo dizer que sim e até dar passos concretos para diminuir as reduções de CO2 e de CFC's etc. É o que acontece agora com o governo português e a vontade manifestada pelo ministro do Ambiente de taxar cada saco plástico que nós usamos nas compras do supermercado com 5 cêntimos. Tudo justificado pela necessidade de redução desse inimigo da mãe natureza que se chama plástico.
A ser verdade parece-me uma medida imbecil, cínica e injusta. Imaginemos que as pessoas - sobrecarregadas com um custo de vida de que não há memória desde o último choque petrolífero dos anos 70 - até aderem ao propósito ecológico, porque o tem de pagar, e passam a levar as suas alcofas quando forem às compras. (O que aliás se fazia com regularidade há 20 anos.)
Sobra-me uma pergunta: onde vão depositar o lixo doméstico em suas casas? Resposta: vão comprar higiénicos saquinhos do lixo de plástico, já que não me parece que tenham vontade de recuperar o hábito antigo de usar os jornais para forrar os caixotes de lixo doméstico e a seguir despejá-los a granel nos contentores de recolha de lixo urbano. O que, como está bem de ver, é uma acção muito ecológica de protecção da saúde pública.
Por isso parece-me imbecil. Mas é também uma medida cínica: porque o Estado, pressionado com as limitações às emissões de carbono, pretende ir buscar uma receita adicional através de um taxa que, no mínimo, é ilegal, já que os sacos comerciais que usamos nas compras fazem publicidade.
E é injusto porque num País pequeno e periférico como o nosso, com poucos recursos naturais - ou com os escassos que temos como o vento e o Sol ainda pouco aproveitados - são os contribuintes que continuam a suportar uma imaginação fértil de impostos e taxas para justificar as decisões políticas do Estado. E já não aguentam mais.
Há uma semana o jornal "Expresso" publicava uma reportagem sobre os novos pobres que começavam a recorrer ao Banco Alimentar para conseguir viver. Médicos, professores, pessoas com rendimentos médios de 200o a 3000 euros, habituados a viver com o conforto de não trem necessidade de fazer contas pra ver se o dinheiro chegava até ao fim do mês.
Parece incrível.
E nestes tempos de Natal eu só quero saber como consegue alguém neste País viver com 200 euros de reforma?
Bem pode o sr. ministro Nunes Correia pôr os sacos a 5 cêntimos, que iremos chegar a uma altura em que iremos ao supermercado comprar o saco e olhar para o pão nas prateleiras.
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