quarta-feira, maio 02, 2007

A terapia da escrita

Escrever é um acto de coragem e de libertação. Mesmo sem publicar, mesmo sem razão, por vezes tão somente nos ajuda a organizar ideias. Não importa como se escreve, nem o que se escreve. Há quem lhe chame terapia da escrita. Provavelmente será, mesmo quando a poesia nos chega em forma de prosa. Ou será, quando a prosa nos devolve lições de poesia?
De qualquer forma, a escrita sempre me reconciliou com a vida. O papel e a palavra, puxam por mim obrigando-me a reflectir. Sem me dar tréguas. Mesmo quando não quero ou estou distraída. Ou irascível.

As noticias que nos chegam

Ouvi ontem alguns telejornais e as notícias da Venezuela. Não ouvi uma única palavra sobre o aumento de 20% do salário mínimo ou - até - sobre a redução do horário de trabalho de 8 para seis horas diárias. Ms ouvi as palavras de Chavez a opor-se ao FMI.

terça-feira, maio 01, 2007

Decisões difíceis

Ando a ponderar abandonar os cigarros ou o café. Ainda não me decidi.

O trabalho, na Venezuela


Nas primeiras notícias da manhã leio que Hugo Chavez, o populista e marxista presidente da Venezuela, a quem o Ocidente muito deve a recessão económica deste inicio de século, decretou um aumento de 20% do salário mínimo e a redução do horário de trabalho para 6 horas diárias (30 horas por semana).

Da América Latina surgem sinais de mudança, de uma nova ordem mundial, mais tolerante e fraterna. Fraquezas de quem sempre teve uma costela sul-americana.


Quantos trabalhadores se consumiram na luta para que hoje fosse feriado? Quantas marteladas teve o meu pai de dar no dedo para não trabalhar nos 1ºs de Maio, sob o jugo da tirania fascista?

Poderemos nós, a uma distância de 30 anos, compreender.

O Leopardo

Ao ler o novo que se avizinha, lembrei-me de Tomasi di Lampedusa e da sua filosofia desesperada de impotência: É preciso que tudo mude, para que tudo fique na mesma. Assim ficará. Como no Gattopardo.

De cara lavada

A minha cidade acordou hoje de cara lavada, depois de uma noite chuvosa. O meu rio espelhava uma tranquilidade de prata, ali para o Mar da Palha. E eu agradeço aos céus terem poupado o meu nariz dos acáros. Como a Natureza, renascemos depois das crises.

segunda-feira, abril 30, 2007

Ventanias

Está uma ventania endiabrada em Lisboa. As árvores vergam-se e sacodem as folhas distribuindo poléns pelo ar. Sei que o meu nariz se irá ressentir, mas espero ultrapassar a crise alergica. Sem anti-histamínicos. Anseio agora uma chuva que tudo lave e permita o renascer de novas folhas.

domingo, abril 29, 2007

Ligação à terra

Há um perfume intenso de flores no ar e deixo-me comover pelos tons dos campos. Gosto do aroma a terra molhada, depois da rega, e de saborear as nêsperas já maduras. E de parar à beira da estrada para dançar o "True colors" da Madona, para espanto dos putos. Há mães, assim, que só envergonham os filhos.
É doce este tempo de manteiga a correr-nos pelos dedos (in Álvaro de Campos). Sem fingimentos.

sábado, abril 28, 2007

Derbys

É sempre um momento mágico quando o Sporting ganha ao Benfica. Que seja um bom jogo, para eu deixar de ter medo de me meter num estádio de futebol.

sexta-feira, abril 27, 2007

A luz branca de Lisboa


A câmara de Lisboa definha lentamente. E a cidade agonia com a gestão. É insustentável o peso sobre os seus cidadãos. Acossada de vários lados, Lisboa está parada. Tornou-se uma cidade indiferente às suas pessoas. A estratégia, a ter existido, morreu sufocada por uma divida financeira incapacitante.

Tudo parece dar errado na cidade.

O fiasco do Parque Mayer, e o dinheiro que se gastou, o Túnel do Marquês, cuja utilidade ainda está por provar e que abriu à circulação c0m dois anos de atraso e ainda por cima cheio de gaffes, a assunção dos terrenos sul do Parque das Nações que nunca foi feita, as 53 piscinas - uma por freguesia - prometidas em campanha eleitoral, a degradação das vias de circulação, a asfixia financeira, por arrastamento, das juntas. A ligação estranha, sempre suspeita, ao imobiliário. Ainda me lembro que, logo nos primeiros seis meses da gestão de Pedro Santana Lopes, arderam seis ou sete edifícios devolutos na cidade.

Pessoalmente tenho pena pelo prof. Carmona Rodrigues que, malgrado a minha péssima avaliação das pessoas, sempre me pareceu um técnico qualificado e capaz de assumir o barco, mesmo em alturas de intempérie. Quero-me lembrar de uma nota positiva nestes últimos dois anos de gestão da cidade e não me lembro de nada.

Já não dá mais. São buracos demais para uma cidade com uma luz branca tão bonita. Gosto tanto da minha cidade e do meu rio que o meu desejo seria vir passar a férias a Lisboa.

Os planos e os licenciamentos

O primeiro-ministro anunciou hoje no Parlamento a simplificação dos processos de licenciamento e, basicamente, que os planos municipais de ordenamento do território (essas coisas lindas que já entraram no nosso léxico comum chamadas de PDM's, PP's, PU's, etc) vão deixar de ser submetidos a ratificação do Conselho de Ministros.
Pareceu-me bem e até me pareceu mais: que é uma medida com 20 anos de atraso.
Também ouvi o sr. engenheiro dizer que as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR's) já não terão, obrigatoriamente, de acompanhar a elaboração destes planos.
Confesso que já não me pareceu tão bem, mas apesar de tudo concordo.
Em respeito pelo principio da desencentralização administrativa do Estado, e até da subsidiariedade, sempre me pareceu que os Municípios, para o bem para o mal, deviam ser responsáveis pela gestão dos seus territórios. E isso implica planear e tornar eficaz esse planeamento.
Tenho reservas quanto ao facto de as CCDR's deixarem de acompanhar o processo de elaboração dos planos municipais, uma vez que estes, em obediência à hierarquia das leis, têm de respeitar os planos de ordem superior (PROT's, POOC's, etc ) e, sobretudo, entrecruzar os vários PDM's de uma dada região.
É também para isso que a regionalização serve. Mas enquanto não existe deviam as CCDR's assumir essa coordenação regional, para que cada municipio no acto de planear o seu território tenha em conta o contexto regional onde se insere. Continuo muito interessada em ver na letra de lei, como vão ficar estas propostas.

Vidas paralelas

Leio agora na Lusa que um empresa, a Linden Labs, está a desenvolver a Second Life, uma ferramenta na Internet que permite simular uma vida paralela à real. Não só para possibilitar o lazer, como para promover negócios. Os promotores assumem, sem qualquer pudor, tratar-se de um escape. É fantástico. Eu acho até que podemos passar bem sem o calor dos afectos, pois qualquer teclado nos assegura um transporte para o paraíso que desejamos. Talvez falte o convívio, mas é tudo uma questão de hábito.

quinta-feira, abril 26, 2007

Os plátanos de Lisboa


Ontem passei pelo Campo Pequeno e olhei de frente os 97 plátanos que a câmara de Lisboa condenou à morte. Que são árvores doentes, nas raízes, danificadas pelos camartelos das obras, alega o vereador. E eu que olhei as árvores de frente, sem lhes ver qualquer doença, fiquei com vontade de meter uma câmara de vigilância nas raízes.

Já tenho saudades dos plátanos do Campo Pequeno. E não consigo compreender as razões de tamanha brutalidade.

Das avenidas de Braga

Surgem notícias de encontros de pessoas atentas à realidade da sua região. Será o I Encontro de Bloggers e Leitores de Blogues do Minho, marcado para 30 de Junho, em local ainda a combinar.
Das muitas avenidas de Braga: central, da liberdade, vem o convite para a iniciativa. Primeira de outras que pretendem devolver ao Minho uma voz activa e lançar um verdadeiro debate em torno das questões estruturantes da região.
O desafio é dos blogues Avenida Central, Mater Matuta e Ócio mas está aberta a todos os bloggers e leitores de blogues do Minho. As pré-inscrições podem ser feitas através do e-mail: blogminho@gmail.com.

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril sempre

Hoje é Dia da Liberdade. 33 anos depois e ainda me vem à memória a estranheza de ver o meu pai, ao dia de semana, a fazer a barba. Tinha ficado em casa, sem que nada o fizesse prever, ele que em tantos anos de trabalho nunca dera uma falta. Acautelado, avisou a minha mãe "hoje a miúda não vai ao colégio". E eu, aborrecida, lá fiquei, acompanhada, todo o dia, pelo velho rádio de pilhas.
Acho que foi nessa altura que nasceu o meu gosto pelas notícias. Em liberdade!

O homem parado no Inverno

Passaram quantos anos? 16, 17? Cruzámo-nos na via profissional e, ao primeiro olhar, percebemos a confiança que depositavamos um no outro. Eu estava a começar nos jornais, ele era um policia sénior. Vivamos um tempo difícil, como estes que atravessamos agora. Tantas estórias vivemos. Ele na frente das lutas pelo direito ao sindicalismo, pelo direito à dignidade da polícia, por melhores condições profissionais e eu na fiel descrição de uma realidade que afrontava o poder.
Mas havia mais, muito mais, entre nós. Uma cumplicidade que nasce das ideias, dos silencios e das palavras e nos tornava solidários e afectuosos. Uma cumplicidade tal que sabíamos sempre até onde poder ir. Foram anos de namoro cerrado. De charme. Ficámos amigos. Cruzámos as nossas famílias.
Vi os filhos dele crescer, assisti à sua separação e ao seu reencontro, amparei-o quando se perdeu nas escolhas da vida. Estive dos seu lado sempre, mesmo nos momentos em que quase o derrubei com palavras ou em que o vi tomar opções desastradas. Ele esteve comigo nos momentos mais dolorosos, de maior incerteza. Em Braga, na chegada e na partida.
Mesmo quando a mágoa foi maior, ambos sabíamos que o outro estaria ali. Comecei por lhe dizer que era o meu polícia preferido, e hoje ele sabe que é um dos homens da minha vida. Foi sempre.
Agora, quando me disse que vinha cá trazer-me os cravos vermelhos que não comprei, disse-me que tinha andado a fazer arrumações e encontrou um livro do Baptista Bastos. "Um homem parado no Inverno". O meu grande mestre Bastos. Sorri-lhe e ele viu o sorriso da minha memória pelo telefone. "E sabes o que tinha na contra-capa: 'Para que nunca sejas um homem parado no Inverno. Dezembro de 1991'.
Nunca serás, Manel.

terça-feira, abril 24, 2007

Fugas

Este capacete do tempo perturba-me os nervos. Bem sei que até tenho motivos para andar à cabeçada. O boxe, provavelmente, daria um bom escape, mas não resolveria nada. Talvez por, numa fracção de segundo, ter pensdo nisso, não fiz como o Pedro, no Diário do Alentejo, e não atirei um cinzeiro à cabeça de ninguém. Esse controlo tem um preço e continuo a pagá-lo. Tenho saudades de si, Zé.

Sinto-me desafiada a brincar num jogo onde não quero participar. Há jogos a que eu prefiro assistir. Até terem interesse. Algumas pessoas passam a vida a correr sem quererem olhar para as portas abertas. Sem mais, simplesmente abertas. Quando voltarem a passar, haverá portas fechadas. É tão mais fácil.
E eu fico a pensar nas três razões para a arte da fuga: por estupidez, por insensibilidade ou por opção. Infelizmente, quando é por opção, tenho de desistir.
Temos tanto medo de falar uns com os outros. Ms o problema é meu, que continuo sem perceber porquê.

segunda-feira, abril 23, 2007

Da Estrela, sem neve, mas vestida de branco

Fontes de informação privilegiadas lamentaram-me o pior Inverno dos últimos anos na Serra da Estrela. Sem neve, a serra fica nua e parece vazia. Apesar de a região oferecer (cada vez mais) equipamentos alternativos à neve e, do meu ponto de vista, a Estrela ser um dos cenários naturais mais extraordinários para o usufruto da Natureza, o espectáculo do branco não se perdeu. Na Cova da Beira, dizem-me e apertam-me o coração de saudades, estão lindos os campos de cerejeiras.
E eu lembro-me da história da princesa nórdica que, tendo casado com o Rei mouro, tinha saudades do branco dos campos da sua terra. Impotente para mandar na Mãe Natureza, mas com todo o amor do mundo no coração, mandou o rei mouro plantar amendoeiras e cerejeiras pelos campos para que, no dealbar das épocas da neve, ficassem os campos pintalgados de uma plenitude alvar. E assim a sua princesa não morreria de saudades. Haverá amor maior?

Dot.com


O filme de Luis Galvão Teles tinha tudo para ser um sucesso de bilheteira. Se fosse americano, sê-lo-ia certamente.
A sátira de uma pequena aldeia sem saídas, contra um inimigo comum, que retrata de forma exemplar a afirmação da nossa portugalidade face ao nosso tradicional irmão maior. Mas, acima de tudo, revelando com ironia, ora mordaz ora súbitl, a lusitana maneira de ser: de levar tudo à frente, até as soluções consensuais que nos permitem ficar de bem com Deus e com o diabo.
Excelente humor.
Como foi excelente descansar os olhos na mágica aldeia de Dornes e na floresta sobranceira à albufeira de Castelo de Bode.

sexta-feira, abril 13, 2007

As universidades privadas, o diploma de Sócrates e os jornalistas

Quando, em 1999, três jornalistas do Diário de Notícias (DN), nos quais eu própria me incluía, investigaram o que se passava na Universidade Moderna (UM), foi escrito e falado sobre o que ocorria em outras universidades privadas, incluindo a Universidade Independente (UNI).
Nos meus arquivos estão ainda as cartas de protesto, que foram dadas à estampa no DN, mas também as muitas missivas anónimas que recebemos com denúncias de irregularidades, por ventura ilicitudes, que se passavam em vários estabelecimentos de ensino superior privado.
A actualidade veio dar razão ao que então escrevemos. E veio também mostrar, uma vez mais, porque houve tanta celeridade em calar as nossas vozes.
Assisto, agora, ao desenrolar de «informações» sobre a UnI, que são largamente ultrapassadas pela «importância» atribuída ao diploma do Primeiro-Ministro. Não sou apoiante de Sócrates, nem tão pouco votante no Partido Socialista, mas não deixo de ficar espantada com o facto de suspeições se terem tornado matéria noticiosa.
No caso da UM, primeiro obtínhamos as informações, tratávamo-las e, só depois de confirmadas, as publicávamos. Lembro-me, entre outros episódios, de termos ido ao Algarve confirmar algumas coisas…
Hoje, cada suspeita é uma notícia e Sócrates acaba por ser vítima de novos valores que, de algum modo, tem ajudado a construir.
O que é lamentável nesta Comunicação Social, tão atenta a levantar questões, é a leviandade com que (e foi assim que julgaram e condenaram os jornalistas do DN!) NÃO investigam o que se passa, desde há muitos anos, nas universidades privadas.
E não seria despiciente lembrar as suas origens, como surgiram, quem as fez e como e até o contexto histórico-político em que nasceram.

Recordemos: Em 1976 começaram a regressar a Portugal alguns dos professores saneados do Ensino Superior público no pós-revolução de Abril. A maioria tinha emigrado para o Brasil ou para Espanha, em busca da recuperação da vida académica. Todavia, aqueles países também já não eram o El Dorado e, por isso, muitos desses professores aproveitaram a «abertura» política do pós-25 de Novembro de 1975 para refazerem a vida em Portugal.
O poder estava, então, dividido entre a facção mais moderada dos militares de Abril e um Governo de centro-direita, dominado pelo PS de Mário Soares com o apoio do CDS de Freitas do Amaral, personalidades que apelavam à «reconciliação nacional».
Ainda que se pudesse pensar na reabilitação dos «saneados», os tempos não favoreciam a devolução de cátedras aos apoiantes do regime deposto.
A solução discreta para o crescente exército de professores universitários desempregados foi a criação do ensino superior privado, classificado por muitos como o «legado pobre que a revolução de Abril deixou à direita e à extrema-direita em resposta aos saneamentos».
A «inteligentia» do antigo regime tinha, ainda, outros planos: a coberto de projectos pedagógicos aparentemente inócuos reconstituíam vastos e influentes núcleos duros de «saudosistas» dos tempos de Salazar e Caetano, enquanto procuravam criar condições mais favoráveis ao seu próprio regresso aos centros de decisão. Recorrendo a uma ideia da esquerda – as cooperativas – foi possível planear estas novas universidades, acolhedoras dos defensores dos ideais da direita e abertas, ainda, aos interesses de organizações «secretas» como a Maçonaria e a Opus Dei. Também o dinheiro, escasso de início, começou a afluir em catadupa, quando milhares de estudantes se viram forçados a obter nas privadas os «canudos» que o numerus clausus das universidades públicas lhes negava.
Curiosamente, o Instituto António Sérgio, entidade competente para fiscalizar o sector cooperativo, nunca tomou nenhuma atitude contra o incumprimento das normas que deveriam reger estas cooperativas, que acabaram sempre por ser geridas como empresas privadas ou sociedades por quotas.

E hoje, diante do sucedido com a UM e a agora a UnI (entre outras que vão sendo faladas mais ou menos em segredo), continuam a ser levantadas questões a que ninguém responde e a capacidade de investigação dos jornalistas cinge-se a divulgar processos em tribunal, queixas na Procuradoria Geral da República, ou a levantar suspeições sobre situações de valor certo – mas seguramente menor – como o diploma do primeiro-ministro…

terça-feira, abril 10, 2007

A música, a tolerância e as cidades vibrantes

Há alguns dias, António Câmara, o coordenador científico da conferência "Cidades Criativas", organizada pela Associação Nacional de Municípios, que contactei no âmbito da cobertura desse acontecimento, disse-me que a música é um talvez o melhor impulso para a criação de cidades vibrantes, onde apetece estar e viver.
Vem isto a propósito de uma notícia de hoje. Durante quase uma hora, o violinista Joshua Bell tocou o seu Stradivarius de 1713, avaliado em 3,5 milhões de dólares, numa estação de metro de Washington, como se fosse um músico de rua.
A experiência, patrocinada pelo jornal Washington Post, permitiu perceber que o célebre pianista - cujo concerto três dias antes no Symphony Hall em Boston tinha esgotado, embora os bilhetes custassem cerca de 80 euros - despertou pouca ou nenhuma atenção no átrio da estação L'Enfant Plaza. Das mais de mil pessoas que passaram à frente dos acordes de Bell, nesses 45 minutos, apenas as crianças iam parando e atrasando o passo dos pais que as arrastavam para o transporte.
Na análise do acontecimento, o W. Post considera que o simples facto de as crianças se sentirem tentadas a parar para escutar a música de Bell significa, tão somente, que todos nascemos com poesia. Que perdemos ou sufocamos ao longo das nossas vidas.
Deixamos de ouvir: a música na rua, os outros...
Daí que a conversa com António Câmara (publicada no DN), me tenha assaltado à memória. É que as cidades criativas erguem-se da massa de talentos diversos que consigam mobilizar e manter, independentemente do tempo ou do lugar. Territórios onde o Talento, a Tolerância e a Tecnologia se cruzam num ambiente vibrante e ligado pelas artes. Será utopia pensarmos cidades assim? Mas não nasce a realidade de uma boa dose de utopia, aliada à loucura?

Depois penso na rapidez com que a câmara de Lisboa decidiu retirar o cartaz do Gato Fedorento do Marquês de Pombal – porque supostamente não tinha licença - e apetece-me dar pontapés nas pedras. Falta, pelo menos, um T a Lisboa e eu tenho pena que seja o da Tolerância.

segunda-feira, abril 09, 2007

Nas estradas, como no quartel, tudo na mesma

Só para que conste:
Hoje as notícias da rádio, reforçadas pelas palavras de um oficial da Brigada de Trânsito, davam conta de uma diminuição da sinistralidade rodoviária durante esta Páscoa.
Que estranho, não estava nada à espera...
(Ver post de 6 de Abril)

Páscoa: pormenores, pão e perfume


Da minha amiga Risoleta, palavras com sabor a laranja...

"Conto-vos como foi o milagre:

Sabem como são as cidades, sabem como é a cidade: fumo de escapes, gente a dormir na rua, autocarros atrasados e sem conforto, mau atendimento nos locais públicos, trânsito caótico, pessoas de olhar vago, longínquo, como autómatos de filme de ficção científica, dejectos de animais pelo chão, pedras soltas nas calçadas, carros nos passeios, bancos e caixas Multibanco e publicidade por todo o lado em vez de jardins ou outros espaços convivenciais, enfim, uma espécie de manicómio. Face a isto, não temos muitas alternativas. Ou morremos, ou adormecemos como os tais autómatos, ou optamos pela terceira "alTREnativa", e temos de nascer outra vez, pela terceira vez (a primeira foi quando nascemos, a segunda quando sobrevivemos, e agora... esta): há quem lhe chame ressuscitar, houve um que até experimentou há dois milhares de anos, ou que pelo menos tentou, dizem que resultou, mas ainda hoje não se sabe o que lhe aconteceu. Talvez o que importa seja essa memória vaga do mito, esse relato de um episódio da história, ou da mitologia da humanidade, essa crença, para alguns, de que um ser se soltou da prisão, essa esperança em forma de símbolo. Andamos por aí, na cidade, e às vezes, por esta época a que chamam Páscoa (mas que pode ocorrer em qualquer altura, em qualquer estação do ano, em qualquer momento do dia ou da noite, porque a Páscoa é como o Natal, quando a gente quiser) os olhos abrem-se vagamente para sombras, vemos nuvens, passamos pelo meio de vultos, uma força invisível impele-nos para um lugar ainda não conhecido da cidade, um lugar onde a beleza habita. Abrem-se-nos os olhos e não vemos o todo, passamos pelas montras cheias de ovos de chocolate embrulhados em pratas coloridas mas já não somos sensíveis à monotonia do comércio, apercebemo-nos de pequenos pormenores: um azulejo muito belo, uma varanda de ferro forjado num rendilhado interessante, uma brisa no cabelo, a cor do céu, as formas das nuvens, o tom mutante do rio, um perfume de pão, um cheiro a coentros, um perfume de flores… de laranjeira! Nós, que nos pensávamos a sonhar, abrimos então os olhos, quando nos apercebemos que estes odores são demasiado reais para serem de um sonho. Estamos… em Sapadores!, uma das zonas mais abandonadas e degradadas da cidade, mas de mil padarias (só pode ser!) desprende-se o perfume de pão cozido que nos conforta as memórias desde que aparecemos neste planeta, e do mercado recolhemos pelo nariz a agradável presença dos frutos, dos legumes e das ervas de cheiro; saindo do mercado e atravessando a rua, entra-nos pelas narinas o aroma quente, terapêutico e milagroso das laranjeiras ali mesmo do outro lado da estrada, ao pé do pavilhão gimnodesportivo.

E foi assim. Este ano já tive a minha Páscoa, tudo o que vier a mais é um bem acolhido suplemento, mas a minha história de ressurreição já ninguém me tira. Também querem? Apanhem o 35 ou o 26 e vêm até Sapadores. Depois de passarem pelas sombras (sim, sim, é um percurso iniciático), pelas nuvens e pelos vultos, a coisa acontece. O caminho da ressurreição não é linear. Mas depois, podem entrar em qualquer pastelaria e comprar um ovo de Páscoa ficando a comê-lo devagarinho à vista do rio, lá em baixo.

Partilho convosco a pose que uma das laranjeiras, que as inúmeras flores fizeram para mim. O perfume, só mesmo experimentá-lo… Tenham uma Feliz Páscoa em qualquer canto da cidade, do país, do planeta ou do vosso coração."
Risoleta

sexta-feira, abril 06, 2007

A velocidade e as estatísticas

Ontem fui visitar o Fluviário de Mora, pretexto para fazer 300 quilómetros em dia de grande circulação rodoviária. Mesmo evitando os principais itinerários, e saíndo de manhã para regressar ao fim do dia, fui confrontada com muito automóveis em circulação, desde o condutor em viagem para umas mini-férias, às centenas des camiões que circulam ao dia de semana pelas estradas nacionais, misturando-se com os utentes habituais de percursos diários.
Mandaria a prudência que, por isso, as cautelas fossem maiores, até porque muitos locais continuam pessimamente sinalizados, muitas estradas nacionais e secundárias estão numa lástima, faltando sinalização horizontal, vertical e indicação clara de bermas baixas em muitos locais.
Mas não. Continuamos a conduzir como se aquele fosse o último dia que tivessemos para o fazer. Eu vi, não me contaram, ultrapassagens no fio da navalha, automóveis e motorizadas a circularem, pelo menos, a 140 Km/h em estradas nacionais e, sobretudo, muitas pessoas a circularem com os carros extremamente carregados em velocidades manifestamente excessivas para os locais onde, no instante em que os vi, circulavam.
Confesso que tenho cada vez mais medo de circular nas nossas estradas e esse medo acentua-se em temporadas destas, porque sei como tudo pode mudar num simples segundo.
Podemos sempre pensar - nada poderia prever, mas isso é falso. Todos nós podemos prever a tragédia se pensarmos que ela não acontece só aos outros e que todos nós andamos nos limites.

Observo agora as primeiras informações da Brigada de Trânsito sobre a actividade operacional no primeiro dia desta Páscoa e não deixo de pensar, com algum cinismo, que é sempre o mesmo: nos primeiros dias da operação de reforço de fiscalização as informações apontam sempre para uma Páscoa ou um Natal pior do que no ano anterior. Depois, nos dias de regresso, tudo se transforma em calmaria e as estatísticas, como por milagre, acabam a revelar que, afinal, até nos estamos todos a portar melhor nas estradas, porque os resultados são mais positivos do que na Páscoa ou no Natal do ano anterior.

Por quanto tempo mais vamos continuar a aceitar que a sinsitralidade rodoviária seja apenas um conjunto de números? Porque motivo não revelam a PSP e a GNR os locais, os dias e as horas em que acontecem os acidentes com vítimas graves?
Só essa informação credibilizará a realidade portuguesa sobre a sinistralidade rodoviária, caso contrário andamos todos a assobiar para o lado a pensar que os acidentes são uma tragédia que só acontece aos outros.

quinta-feira, abril 05, 2007

Mais um aumento discreto da gasolina

A Galp, sempre atenta às deslocaçõe urbanas, resolveu aproveitar a quadra da Páscoa para proceder a um ligeiro aumento da gasolina. Coisa de somenos importância se pensarmos que a gasolina 95 da noite de quarta para a manhã de quinta feira passou de 1.298€ para 1.314€. Afinal o que são dois cêntimos, vá lá um cêntimo e meio por litro (porque fazem o arredondamento à milesima), para um consumidor? Quando muito equivale a mais 6 cêntimos por depósito e, se calhar, mais dois ou três euros no mês.
Mas o que aqui está em causa já é nem o facto de pagarmos a gasolina mais cara da Europa. Não é de hoje, é de sempre, com aumentos sucessivos nos últimos dois anos, sem que se perceba porque razão isso acontece, já que alguns surgem quando o barril do petróleo até está em queda.
O que aqui está em causa é mesmo a ganância: a oportunidade de aumentar a gasolina no dia em que se sabe que milhares de pessoas vão para a estrada em viagens rodoviárias.
Quantos litros irá a Galp vender durante estes quatro ou cinco dias? E quanto é que este ligeiro aumento de preço representa para a facturação da empresa do Dr. António Mexia, apenas nestes dias?
E já agora: o Governo não tem uma palavra a dizer sobre este pequeno aumento? Se calhar, uma vez que a Galp é uma empresa ainda maioritariamente pública talvez não fosse má ideia os portugueses ficaram a saber que justificação deu o Dr. Mexia ao dr. Teixeira dos Santos, ministro das Finanças.

Os preços de referência
Por deformação profissional fui á procura dos preços da Galp ao seu sítio da Internet (www.galp.pt) já que, como se sabe, estes servem de referência a todas as restantes marcas. E fiquei estarrecida quando percebi que, os ditos preços de referência, colocam a gasolina 95 mais cara em Aljustrel do que em Lisboa, por exemplo. Fica aqui a grelha da referência. E que ninguém se surpreenda se, na quarta ou quinta-feira da próxima semana, o preço volte para os mesmos 1.29€ a que pagámos durante todo o mês de Março.
Só por curiosidade também reparei que o preço de referência mais caro se aplica em áreas de serviço das auto-estradas onde, por estes dias, é suposto passarem mais pessoas: Maia (A3), Aljustrel (A2), Loulé (Via do Infante), Guarda (A25) e Modivas (A28)

1.314€
A.S. Águas Santas - Maia
A.S. Aljustrel - Aljustrel
A.S. Guarda - Arrifana
A.S. Loulé - Loulé
A.S. Vila do Conde - Modivas

1.311€
A.S. Alcochete - Alcochete
A.S. Freixo - Porto Circunvalação
A.S. Lumiar - Lisboa
A.S. Mem Martins - Lisboa


1.309€
A.S. Adelino A. da Costa - Cascais
A.S. Adémia - Coimbra
A.S. Belém - Lisboa
A.S. Bonfim - Setúbal ~
A.S. Ceide - Famalicão
A.S. Évora - Variante Zona Industrial
A.S. Guarda - Póvoa do Mileu
A.S. Leiria - Leira
A.S. Santarém - Santarém 
A.S. Tapada das Mercês - Sintra
A.S. Vila Franca de Xira

quarta-feira, abril 04, 2007

Esses socialistas que nos unem

A Venezuela vai acabar com o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) em 2009. Quem o anunciou foi o próprio ministro das Finanças que o considerou o imposto "mais regressivo" e injusto, porque penaliza mais as pessoas que menos tem, uma vez que todos pagam o mesmo sobre os produtos.
Recordando que a moda do IVA foi "plantada" pelos neoliberais, o ministro das Finanças do governo socialista e, dizem, populista de Hugo Chávez afirmou que a compensação das receitas do Estado será feita com os lucros obtidos com a subida do preço de petróleo no Mundo Ocidental e com um eficaz plano de recuperação de receitas do imposto sobre o rendimento.
A Venezuela, recorde-se, é o quinto maior produtor mundial de petróleo e, com a chegada de Chavez ao Poder, bateu o pé à influência americana e à dependência asfixiante do Fundo Monetário Internacional, que tornava refém um dos países com maiores recursos naturais do Mundo.
Nos últimos anos, a Venezuela já havia reduzido o IVA de 16% para 11% e, em 2008, é certo que o baixará para os 9%.
Por via das dúvidas, o ministro Rodrigo Cabezas foi lembrando que, com a redução e a extinção do imposto, o preço final que o consumidor paga terá, forçosamente, de baixar. "Não queremos que nos burlem, nem ao Estado, nem à cidadania", disse o estranho ministro latino-americano.

terça-feira, abril 03, 2007

Faltou um milagre em Chongqing


O que se passou em Chongqing, na China, fez-me lembrar "O milagre da Rua 8", um fabuloso filme de Spilberg do final da década de 80. O filme retratava a resistência de um casal idoso para manter a sua casa face à ameaça do carmatelo, que alguns chamam de progresso e desenvolvimento das cidades. Como a força das partes era claramente desigual, o casal de idosos recebeu preciosa ajuda extraterrestre, para manter a sua casa no meio dos arranha-céus que, em pouco tempo, desfiguraram o seu bairro de casinhas baixinhas. Veio do espaço, essa mão-de-obra preciosa que fez renascer a velha casinha.
Agora em Chongqing passou-se o mesmo e uma magnifica foto ilustrava bem o drama de um casal por manter os direitos sobre a sua propriedade. A luta de Wu Ping e Yang Wu, que se arrastava desde 2004, foi conhecida do Mundo quando se divulgou na Internet a situação insustentável em que a pressão imobiliária deixou a sua casa: toda a área em volta foi escavada, e a moradia ficou no topo de um talude, quase na vertical, de dez metros de altura.

Hoje ficamos a saber que, sem uma força extraterrestre capaz de fazer milagres, o casal aceitou sair dali, em troca de uma vivenda de igual valor, mas em outro ponto da cidade.

sexta-feira, março 30, 2007

Um dia de folga


Que ninguém se assuste, não voltei a perder horas a divagar atrás dos pássaros. Simplesmente precisava de experimentar a máquina nova. Estamos em testes.

A minha Lua e o meu Gaspar



Oito meses depois de a termos arrancado à morte, debaixo de uns tórridos 40º à sombra, a Lua é hoje uma cadela linda. No âmbito da guarda conjunta, a Lua veio passar o meu precioso dia de folga cá a casa. É assim quando amamos os bichos e as pessoas que aceitaram dar-lhe um lar. É a única que a correr consegue levar o meu Tejo ao tapete.
Enquanto o meu aristocrático Gaspar dorme despercebidamente no sofá, fazendo de conta que tem autorização para ali estar.

O meu Mundo mais próximo


Gosto de estar neste meu mundo. Uma visão de cidade, campo e rio. O meu mundo.

quinta-feira, março 29, 2007

Palavras que assustam

Gosto de escrever. A palavra escrita é mais ponderada e reflectida do que a palavra dita. E permanece, por muito que o tempo passe. Como a História e os acontecimentos. Nem todos perduram. No entanto a História constrói-se com os acontecimentos que realmente importam. É também uma boa terapia, naqueles momentos em que a lucidez nos tolhe a esperança, porque nos ajuda a refletir de forma objectiva e sistematizada, obrigando-nos a organizar um turbilhão de pensamentos que se atropelam e, tantas vezes, não nos deixam espaço para ver o caminho.
As palavras podem dar conforto, podem gerar insatisfação, mas transmitem sempre emoções. Só que às vezes sentimo-nos tão perdidos, com as nossas escolhas e tão presos às nossas ligações, que até as pelavras nos assustam.
Ontem, enquanto lia o "Predador", da Patricia Cornwell, uma frase saltou-me à vista: há pessoas que são mestres da arte da fuga, no que concerne ao escrutínio pessoal. É verdade e de certa forma tranquilizou-me essa constatação. Nada acontece por acaso, simplesmente nem sempre - diria quase nunca - conseguimos compreender em cima dos acontecimentos.

quarta-feira, março 28, 2007

O filho de Catarina

"Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer"
in José Afonso

José Adolfo do Carmo enche hoje a primeira página do 24 horas confessando o seu nojo pela "eleição" de Salazar como o melhor português de sempre. Não é indignação que lhe leio nos olhos é mesmo o nojo que resulta de uma dor muito profunda. 53 anos depois, José do Carmo é o bebé de nove meses que Catarina Eufénia carregava nos braços quando foi trespassada a tiro pelas balas assassinas de uma GNR sem alma.
José não conheceu a mãe. Conheceu-lhe a história, uma estória de voluntarismo, de juventude e de decisão que a fez aceitar representar os assalariados rurais de Baleizão. Aos 26 anos, quando se tem pela frente todos os sonhos do mundo e nas veias corre a vontade de mudar e dar passos em frente, Catarina deu o passo em frente reinvindicando o direito de trabalhar a terra. Tão simples, tão genuino, apenas isso.
Pagou com a vida. E hoje, 53 anos depois, desse tempo em que a fome varria com o Suão os hectares abandonados da margem esquerda do Guadiana, existe a memória do símbolo da resistência contra um regime opressivo, que negava o direito de viver a quem nada tinha. É essa memória que José do Carmo sente ultrajada e eu pressinto-lhe a vontade de vomitar.

domingo, março 25, 2007

Medíocres

Não há nada pior para a criatividade do que a presença de um medíocre a nosso lado. Bem sei que a inveja, como a dos caranguejos portugueses, também é lixada.
Mas esta espécie de caranguejos, que com o poder que julgam ter se sentem tentados a boicotar o trabalho dos outros, não se extingue, pelo contrário parece em franca reprodução. De tal ordem que, ameaçando as outras espécies, algum dia teremos mesmo de pensar numa maneira de exterminar a praga.
E depois admiram-se dos cabos Antunes deste mundo...

sábado, março 24, 2007

Don't let me down

O meu puto, finalmente, ultrapassou-me em altura. E de tal forma se tornaram indisfarçáveis os dois centímetros de diferença, que já não posso fazer de conta que não estou a ver bem. E como está feliz.
E vinhamos assim nessa felicidade cúmplice, a ouvir o apropriado don't let me down no carro, quando me atira "eu gosto dos Beatles".
Inchei. E lá lhe expliquei que mais do que para a música, os Beatles tinha sido muito importantes para a vida das pessoas, para a mudança de um mundo fechado para um mundo mais aberto, para uma relação mais liberta com os nossos corpos para uma maneira diferente, mais feliz e apaixonada, de olhar a vida.
Ficou a olhar para mim, quando lhe disse que foram jovens como ele que tinham dado o impulso decisivo para o sucesso da banda de Liverpool e que nós, os cotas de hoje, muito agradecemos a essa geração de coragem dos nossos pais.
O meu puto, que para grande orgulho meu, gosta de História e de estórias, ficou espantado quando lhe disse que, nesse tempo, há 40 anos, embora não devessem mostrar as pernas, as mulheres não usavam calças e viviam para casar e ter filhos, porque isso de trabalhar - com tudo o que isso significa - era coisa de homens.
Que turbilhão de perguntas arranjei eu na cabeça do meu puto. É que deve ser muito difícil imaginar uma sociedade assim e, principalmente, perceber que isto só aconteceu há 40 anos...

sexta-feira, março 23, 2007

Mohamed Yunus

Já aqui escrevi sobre Muhammad Yunus, o Prémio Nobel da Paz. E volto hoje a fazê-lo recomendando a leitura da entrevista que deu à minha camarada Carla Aguiar e publicada no DN de hoje.
O mundo é um lugar mais próspero com pessoas com Yunus. E a sua maneira de ser é fonte de inspiração para todos os que sonham mudar as coisas. Pois, como ele diz, primeiro é preciso acreditar, sem hesitações, simplesmente acreditar, para depois ter coragem de avançar.

E eu recordo-me de Martin Luther King que também teve um sonho de uma sociedade mais justa. E apesar de tudo, o Mundo está melhor do que no seu tempo.
Mas alguém teve de sonhar...

Gosto da serenidade, da tolerância e da capacidade de fazer de Yunus e sei que, mesmo em caminhos longos, saberemos construir o seu sonho. Afinal, somos tantos a sonhá-los.

quinta-feira, março 22, 2007

Grandes mestres

Um professor amigo telefonou-me ontem dizendo-me que se ia afastar do ensino, amargurado com o que se passava na Independente. Doia-lhe a alma por deixar os alunos, mas não tinha alternativa. Disse-me, e foi bom recordá-lo, que o verdadeiro prazer de um professor é ver os alunos entraram sem nada e sairem com um bocadinho de saber. Um bocadinho que um professor sabe ter ajudado a construir.
Como é bom saber que ainda há mestres assim.

O diabo anda à solta...

Com a devida vénia e respeitosos cumprimentos à Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, aqui se deixa um oportuno comunicado acabadinho de divulgar...

(...) O DIABO DA VELOCIDADE

Face às notícias surgidas na imprensa de ontem sobre o comportamento rodoviário anti-social de um pároco de Santa Comba Dão, a direcção da ACA-M decidiu dirigir-se ao Papa Bento XVI, à Conferencia Episcopal portuguesa e ao Arcebispo de Viseu, pedindo à hierarquia eclesiástica que ajude aquele sacerdote a exorcizar o seu desmedido prazer pela velocidade que a potência do seu Ford Fiesta 200 ST lhe permite atingir.

Haja alguém com coragem para exorcizar o demónio. Será do local?

Em stand by

Ando cá com uma falta de inspiração para escrever e como preciso de o fazer sinto como estou a começar a ficar irascível. Deve ter sido por ter dormido com os pés de fora.

quarta-feira, março 21, 2007

O melhor português

Tenho andado a ponderar qual seria o melhor português de sempre se, porventura, alinhasse com estes critérios redutores da inteligência, com a classificação de pessoas em melhores e piores, se considerasse que as pessoas, as suas estórias e as suas vidas, pudessem ser classificadas por critérios competitivos ou de valores. Aqueles que são os meus, não tem de ser somados aos de outros que pensam como eu. Ou não.
Quando observo a lista dos dez eleitos, de 11 séculos de história da Nação, apetece-me comentar ao contrário. Justificar porque não voto neles.

Afonso Henriques
Tenho cada vez mais dúvidas históricas sobre os fundamentos que deram origem à rixa entre um filho e uma mãe. Que valores se quiseram proteger ao sacudir a dependência de Castela? Dar melhores condições ao povo? Olhando para trás para a História, tenho grandes dúvidas.

Alvaro Cunhal
Foi um grande português. Exemplo de humildade, coragem e determinação com papel relevante na História portuguesa dos últimos 50 anos. Foi também um mártir e um incansável lutador pelos seus ideais, mas deixou de ver o curso da História, a evolução do seu tempo. Parou e perdeu-se nas suas convicções sem ouvir que o mundo pulava e avançava, lá fora. Perdeu uma oportunidade histórica de, em democracia, construir a resistência daqueles que não se queriam acomodar. E desiludiu por isso.

Aristides de Sousa Mendes
Salvou pessoas. Uma, duas, mil, 30 mil. Não importa. Abriu esperança a quem via no horizonte uma morte precoce e anunciada. Deu-lhes passaporte para a vida, abrindo-lhes um local para viver e pagou por isso. Pagou uma factura muito elevada, recompensada para a eternidade por pessoas anónimas, como eu, que se honram de partilhar a mesma nacionalidade do diplomata em Bordéus. Não há um mas, em Aristides.

Fernando Pessoa
O génio do meu poeta preferido, múltiplo de personalidades fascinantes e contraditórias. "Um fingidor" e um sofredor permanente que lhe aguça o génio criativo. Prosa e poesia que mexem com o mais intímo de nós. Ficou demasiado preso à escrita e precisava de mais tempo de vida para ser o maior português de sempre

Infante D. Henrique
O cardel foi um visionário. Coisa que falta a muitos governantes actuais. Percebeu que a nossa vida como Nação teria de passar pelo Oceano. E passou. Mas o resultado ainda hoje me envergonha, quando penso nas atrocidades que se cometeram. Mesmo observadas aos valores da época.

D. João II
A mesma visão do Cardeal, com maior responsabilidade. Foi, de facto, um grande soberano da História de Portugal. Soube governar, gerir sensibilidades e amealhar riqueza. Mas é esta riqueza que ainda hoje me cala a alma lusitana, porque foi construída à custa da exploração do homem pelo homem, dos saques e da delapidação de territórios. E nada na História nos garante que já conhecia o Novo Mundo quando negociou o Tratado de Tordesilhas. É uma coincidência? Pois é, mas por isso mesmo não tem valor histórico.

Luis de Camões
Confesso não ser particular adepta, mas reconheço que é por Camões que o português é a sexta língua mais falada no Mundo. Ainda. Sinto que "A minha pátria é a minha língua", mas não o suficiente para fazer d'Os Lusíadas o trampolim decisivo para a escolha

Marques de Pombal A sua acção "iluminada" foi importante para fazer frente à desgraça do Terramoto. Foi de grande estadista a sua visão para agir, mandando construindo grandes obras públicas de vital importância para o País. As cidades desenhadas a régua e esquadro, com zonas de lazer e praças, ainda hoje perduram como um exemplo de harmonia arquitéctonica do espaço colectivo. A tentação absolutista em que viveu como Rei fez do Primeiro Ministro de D. José um tirano, do qual o processo dos Távoras é o testemunho mais conhecido. Apenas o mais conhecido. É o fiel retrato do ditado popular Se queres ver o vilão, coloca-lhe o pau na mão.

Salazar
Meio século de atraso no desenvolvimento do País. Uma política de atraso cultural e de intolerância da qual ainda hoje pagamos pesada factura. Foi responsável pela opção de políticas bélicas quando no mundo já sopravam ventos de mudança. Foi o mentor e principal impulsionador de uma alma colectiva amordaçada. Não há perdão na História para o fascimo e tudo o que ele representa.

Vasco da Gama
Nem merece estar na lista. Que fez Vasco da Gama? Chegou à India por mar. Mas quem desbravou o mar, quem enfrentou "O mostrengo que a minha alma teme" foram os marinheiros de Bartolomeu Dias. O grande obreiro da travessia do Cabo Bojador. Ele sim, devia estar na lista em vez de Vasco da Gama.

terça-feira, março 20, 2007

Chegou a Primavera

A Primavera chegou hoje. Dizem as fontes oficiais que este ano é no dia 20 de Março às 12h33. Portanto, já estamos na Primavera. É tempo de celebrar o Equinócio, fenómeno que acontece apenas duas vezes por ano, quando o dia e a noite tem exactamente a mesma duração, porque o Sol nasce exactamente em cima do Oriente e põe-se exactamente a Ocidente. Aequus de igual e nox de noite.
Como o Win e o Yang, o Sol e a Lua.

Casamentos e Baptizados nas escolas

O DN de hoje revela que, de acordo com uma proposta do governo, as escolas poderão vir a ceder o seu espaço para a organização de casamentos e baptizados e ganhar maior autonomia financeira com o encaixe financeiro resultante desse negócio.
Acho bem.
Sempre defendi o aprofundamento da ligação das escolas, de qualquer grau de ensino, à comunidade onde se insere. Embora não seja esse o tópico de discussão, esse é para mim o valor principal a promover. Mas também não descuro as possibilidades financeiras que o negócio potencia, aumentando a capacidade das escolas em gerar receitas próprias. E penso, como para as autarquias, que cada euro gasto por uma escola tem sempre muito mais valor do que cem euros gastos pelo Ministério da Educação.
Ao ler a notícia, porém, percebo que afinal o Governo abre essa possibilidade, mas centraliza o negócio nas mãos de uma empresa pública que assegurará a gestão comercial desses espaços.
Portanto, lá se vai a ligação da escola à comunidade e a capacidade das escolas em gerar receitas próprias...

quinta-feira, março 15, 2007

Comunista zen

Aqui há uns tempos, o Carlos Vaz Marques entrevistou um conhecido argumentista de cinema, Tonino Guerra, que se auto definia como um comunista zen. Mesmo sem saber bem o que isso é, sinto-me assim.

quarta-feira, março 14, 2007

Conversa de émeis

A D. Natalina tem um café. É uma longa história que fica para outra altura. O importante agora é que ela tem um café, um café de bairro, aqui para os lados de Sete Rios, próximo do Terminal de Camionagem, do Comboios, do Metro, dos Autocarros e do Instituto Português de Oncologia. Como se pode verificar, a D. Natalina tem um café numa zona de muito movimento e onde as pessoas chegam e partem, fazem visitas e ARRUMAM OS CARROS.
Sendo, como está visto, uma zona de muito movimento e de estacionamento (pago, claro!), há também muitos «rapazes» da Emel a vistoriarem se todos cumprem a Lei e a bloquearem os carros quando se verifica a mínima infracção. E fala-se de mínima infracção porquê?
Atente-se a esta conversa de café:
1º Emel: … Aqui, nós bloqueamos logo! Não deixamos aviso nenhum, nem há papéis para ninguém!
2º Emel: E não temos culpa se há outras zonas da cidade em que deixam avisos. Temos novas competências e bloqueamos e já está!
3º Emel: Se as pessoas têm mais sorte numas zonas, podem ter mais azar noutras. Na nossa, têm sempre azar! E é pagar logo para desbloquear!

Uma senhora, que igualmente tinha estado a tomar café, sugeriu, discretamente, se «isso não favorece a corrupção?! Sempre é mais barato dar qualquer coisa do que pagar o desbloqueamento!»

Mas, à sugestão, os émeis foram completamente surdos. Como são cegos a quem demorou mais cinco minutos, ou foi ver um doente, ou sofreu um atraso no transporte público…

Fica, assim, clara a formação (profissional?) dos émeis da nossa Lisboa que, com novos poderes, cada vez se sentem mais acima da Lei.

Fio da Navalha

Voltaram os livros da Patricia Cornwell, da colecção Fio da Navalha, da Presença. Já tinha saudades da escrita minuciosa e inteligente, com personagens que crescem e envelhecem connosco. Estou a ler "Sem causa aparente" e a resisitir a ler tudo numa noite, para estender o prazer por vários dias.

domingo, março 11, 2007

E eu, afinal, o que queria era conversa

Este tempo primaveril é notícia. E uma boa notícia. Por isso, aqui no DN ligámos para o Instituto de Meteorologia querendo saber mais sobre o estado do tempo e pedindo para falar com o meteorologista de serviço. Para conversarmos um bocadinho sobre o tempo e afins. Essas coisas de que se fazem os jornais e se chamam notícias. Pois bem, o zeloso funcionário lá nos recomendou que mandássemos um email com as perguntas. E de nada valeu argumentar que a conversa era mais rica e nos permitia um entendimento melhor.
Mesmo sobre o estado do tempo a solução era mesmo o email.
Complicamos tanto coisas tão simples que, qualquer dia, pelo andar desta carruagem ou deixa de haver notícias ou não tarda nada estamos a mandar emails directamente ao S. Pedro. Afinal, a fonte fidedigna.

Mais bombeiros

Afinal o propósito da denúncias dos bombeiros de Vouzela consiste em sensibilizar o governo para a necessidade de criar uma lei específica para evitar condenações ao pagamento de elevadas indemnizações por trabalho suplementar.
Muito bem, quando a lei não corresponde aos nossos interesses, mudemos a lei.
E ainda há quem pense que vive numa Estado regido pelo Direito.
Tenham paciência - e já que a ninguém acorreu a possibilidade de a funcionária despedida pedir uma indemnização - agora paguem.

Bombeiros de Vouzela

Confrontados com uma decisão judicial que lhes é desfavorável, os bombeiros de Vouzela vieram para a comunicação social alertar para a possibilidade de fecharem as portas se tiverem de cumprir a sentença proferida pelo Tribunal.
É estranho.
O caso, do que percebi, é fácil de contar: uma funcionária despedida, recorreu para tribunal e o tribunal deu-lhe razão, obrigando a corporação de bombeiros a proceder a uma indemnização compensatória.
Os bombeiros alegam agora que não têm dinheiro para o fazer e, com cumplicidade, vejo o presidente da câmara solidário com a corporação.
Sobressalta-me, contudo, uma questão: é certo que as instituições são sempre responsáveis pelas decisões dos seus gestores. Boas e más. Mas terá de ser assim? Se fosse mais frequente a aplicação de medidas de responsabilidade civil aos gestores das instituições, talvez estes pensassem melhor sempre que, pelos motivos mais diversos, resolvessem afastar pessoas.
É que as más decisões dos gestores, às vezes tomadas sem a mínima fundamentação ou competência técnica, podem, de facto, comprometer o futuro das instituições. E em última análise todos perdemos com isso.

No caso de Vouzela, nem conheço os pormenores do processo, mas confesso que sou pouco sensível às lágrimas de crocodilo que tem sido derramadas pela instituição que despediu uma funcionária, sem avaliar o alcance que essa medida poderia vir a ter no futuro.

sexta-feira, março 09, 2007

Ser sénior aos 40 anos

Vi no outro dia, num jornal qualquer, que o governo australiano lançou uma forte campanha de publicidade visando cativar a população sénior - que entretento abandonou a vida activa e se reformou - a voltar às empresas. É verdade que são motivos económicos a pesar na implementação de novas políticas públicas. A falência do Estado keynesiano da solidariedade social é uma evidência e os sistemas de segurança social, criados para fazer face a uma esperança média de vida de 60/70 anos, não conseguem suportar esperanças de vida de 80 ou mais anos.
Mas este é tambem um novo paradigma social que se começa a impor e que combate a injustiça de atirar pessoas ainda activas e com muito para dar à sociedade para as margens dos dispensáveis.
Vivemos uma sociedade onde se é workaholic aos 30 anos, sénior aos 40 e dispensável aos 50. Que ganham com isto as organizações e quanto perdem? Já se contabilizaram as razões e as mais valias?
Será que um pedreiro aos 40 anos não dará um óptimo segurança aos 50? Ou um jornalista não dará um excelente professor?
É importante ter em conta que, a meio da vida activa, e por força do tal esgotamento dos wokaholic's, uma pessoa pode estar cansada do exercício de uma determinada profissão, mas ainda se sentir com força e dinâmica para encetar outros desafios.

São razões económicas que promovem as transformações sociais. Pois são, mas não será assim em nossas casas também? Em tempo de vacas gordas alguém perde tempo a olhar para a factura da água ou da luz ou para a hipoteca da casa? Isto já para não falar que a própria escravatura terminou apenas porque o senhor percebeu que lhe ficava mais barato pagar um salário miserável do que alimentar o escravo.

Saudades

Deve ser mesmo da nostalgia dos tempos que correm. Percebi como tenho saudades de Braga e do Nuno e olhando para baixo para o post das distâncias penso que é mesmo assim. Não é de facto a distância que afasta as pessoas. Afastamo-nos por tantos motivos: por desconfiança nos outros, por medo de nos revelarmos e ficarmos desguarnecidos, por insegurança face ao desconhecido mas, sobretudo, porque nos tornamos reféns do dia-a-dia e dos preconceitos que construímos e alimentamos carinhosamente.
São essas as nossas opções e, se calhar, não há como ser diferente. Agora ao falar como Nuno apertou-se o peito por estarmos tanto tempo sem nos falarmos. Mesmo que essa também tenha sido a minha gestão do tempo, permitindo que o meu puto, entretanto transformado em homem, também gerisse o seu tempo e as suas paixões. Tanta coisa mudou e, contudo, sabemos que estamos cá. Mesmo à distância de Lisboa e Braga, mas sempre lado a lado.
A propósito, também tenho tantas saudades de Braga porque, parafraseando o Malato "já fui tão feliz em Braga" em circunstâncias tão diferentes, mas apesar de tudo sempre feliz. Braga é um cidade onde não me importaria de viver. De todo.

Experiências

Isto é só uma experiência e dá para ver que funciona.

quarta-feira, março 07, 2007

Fragmentos

Não é a distância que nos separa das pessoas. Mesmo à distância chegam-nos fragmentos que nos permitem ir construindo imagens, como mapas. São pequenas peças de cumplicidades, de sorrisos, de partilha e isso quebra o espaço e aquece-nos o coração. Sobretudo em alturas mais depressivas, como esta, em que temos tendência para olhar para o raio do copo meio vazio. É dessas teias que emergem pequenos pedaços, com os quais nos vamos identificando e estabelecendo proximidades. E encurtando distâncias.
Mas acima de tudo o que conta é a renovação, a descoberta de que, afinal, quando já pensávamos não sermos capazes fazer novas amizades, nos redescobrimos a acreditar, de novo, nas pessoas. Quando encolhemos os ombros num desesperado "não querer saber", percebemos que, afinal, ainda há quem queira saber.
E esses momentos de cumplicidade e de partilha são únicos. Mesmo que fiquem a pairar muitas coisas por dizer, porque confiamos que as podemos partilhar. É essa confiança que nos faz renascer a crença em tudo e que nos dá a certeza que teremos sempre uma conversa em stand by. Como todos os amigos devem ter.

Cidades

Hoje fui assistir a conferência do Arquitecto Manuel Salgado, à margem da Exposição Viver as Cidades dos Programa Pólis. E fiquei espantada com a quantidade de pessoas que, às seis da tarde, enchia o auditório do Pavilhão de Portugal, interessadas nestes assuntos da revitalização, reabilitação e requalificação das cidades. E dou por mim felizmente espantada. É um bom sinal este.
Da notícia, obviamente, escrevê-la-ei no Diário de Notícias, na sexta-feira.

terça-feira, março 06, 2007

Aprender sempre e estar sempre disponível para ver

Deve ser por alguma melancolia mas hoje fui aos arquivos à procura deste texto. De vez em quando é importante lembrar, para nunca esquecer.

«Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
Aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

Começas a aprender que beijos não são contratos e presentes, não são promessas.

Começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

Aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em vão.
Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo, e aprendes que não importa o quanto te importes, algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te e de vez em quando tu precisas de perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobres que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida

Aprendes que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. O que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida são levadas para longe de ti muito depressa - por isso, devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começas a aprender que não nos devemos comparar com os outros, mas com o melhor que podemos ser.
Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprendes que não importa onde já chegaste, mas para onde vais,

mas se não sabes para onde vais, qualquer lugar serve.
Aprendes que, ou tu controlas os teus actos ou eles te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre dois lados.

Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.

Aprendes que paciência requer muita prática.Descobres que algumas vezes, a pessoa que esperas que te chute, é uma das poucas que te ajudam a levantar.

Aprendes que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que tu aprendeste com elas.

Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que tu supunhas.

Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são parvoíces, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas que isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobres que só porque alguém não te ama da forma que tu queres que ame, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.

Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento condenado.

Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes.

Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém te traga
flores.
E aprendes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensares que não podes mais.
E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!»

William Shakespeare

sábado, março 03, 2007

Ainda os bancos...descubra as diferenças

Com a devida vénia ao blog "para lá de bagade"
Os Bancos cá e lá
Veja-se no Sunday Times desta semana, ou aqui como, por um lado, a arrogância dos Bancos não conhece fronteiras e, por outro, como é diferente a reacção dos consumidores em diferentes países. Enquanto por cá foi necessária uma intervenção do Governo para que se conseguisse impor uma maior razoabiliade na fórmula de cálculo dos arredondamentos das taxas de juro cobradas nos empréstimos para compra de casa, no Reino Unido, bastou que um cliente (por sinal um estudante de Direito) não aceitasse as penalizações exorbitantes que o seu banco lhe cobrava (2x52 Libras por um saldo negativo de 50 pences). Lá bastou uma rápida intervenção judicial, um acordo extra-judicial e milhões de consumidores a reclamarem o seu dinheiro de volta para que os Bancos reconhecessem que teriam de devolver os fundos indevidamente cobrados. Lá nenhum Banco se atreveu a alegar em sua defesa que os consumidores estavam a fragilizar a economia nacional. Lá bastou uma alegação de proporcionalidade para que todos percebessem o que estava em cima da mesa e nenhum representante do sector se comportou de forma "Peronista"...
De Bag

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Comentários para quê, são bancos portugueses...

Noticia da Agência Lusa de hoje:
O lucro dos cinco maiores bancos portugueses, que representam mais de 80 por cento do mercado, subiu 23,3 por cento no ano passado, face a 2005, para 2,66 mil milhões de euros.
Em valor, os resultados líquidos conjuntos da Caixa Geral de Depósitos (CGD), do Banco Comercial Português (BCP), do Banco Espírito Santo (BES), do Santander Totta e do Banco BPI subiram 505,8 milhões de euros de 2005 para 2006.

domingo, fevereiro 25, 2007

O caranguejo português


Estavam dois pescadores, um inglês e outro português, à beira mar, cada um puxando as artes na captura de caranguejos. O inglês apanhava os seus caranguejos e depositava-os dentro do balde que, com prudência, tapava, não fossem os bichos dar-lhes de quer sair.
O português, confiante, deitava os caranguejos dentro do balde, deixando-o destapado.
A cena começou a meter impressão ao britânico que, deixando-se de falsas fleumas, lá se virou para o companheiro lusitano perguntando-lhe se não tinha medo que os caranguejos lhe fugissem.
Que não, explicou-lhe o tuga. É que aqueles eram caranguejos portugueses, uma raça muito especial:
"É que sempre que cada um dos caranguejos está quase a atingir o topo do balde, são os próprios camaradas que o puxam para baixo e o obrigam a cair".

Porque será que ficamos com a sensação que não estamos a falar só de caranguejos.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Recado ao Zé

Tantos anos passados e ainda não consigo domesticar as lágrimas.
(Estou a ver o Zé, o tal peregrino que ontem me apareceu aos trambolhões caído do Céu para me conciliar com as escolhas e com a vida, a dizer-me para me deixar de lamechices).
Pois bem, homem, já passou, mas ainda bem que estes ataques ainda contecem, para me mostrar que ainda continuo viva e confiante. E que você aparece assim, sempre que eu preciso.

Alípio de Freitas, e a defesa dos ideais da paz, da liberdade e da solidariedade

Baía de Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com campanheira e a filha
Caiu nas garras da CIA

Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil

Ao lado dos explorados
No combate à opressao
Não me importa que me matem
Outros amigos virao"

Lá no sertão nordestino
Terra de tanta pobreza
Com Francisco Julião
Forma as ligas camponesas

Na prisao de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Não há tortura que o dome

Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo nao falha
Seja aqui ou outra terra

Em Santa Cruz há um monstro
(Só nao vê quem nao tem vista)
Deu sete voltas à terra
Chamaram-lhe imperialista

Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

Vejam Bem

Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar
Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

E se houver uma praça de gente madura
e uma estátua de febre a arder
Anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer
e não há quem lhe queira valer

Vejam bem
daquele homem a fraca figura
desbravando os caminhos do pão
desbravando os caminhos do pão

E se houver uma praça de gente madura
ninguém vem levantá-lo do chão
ninguém vem levantá-lo do chão

Vejam bem que não há só gaivotas em terra
quando um homem,
quando um homem se põem a pensar

Quem lá vem dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

Zeca

Faz hoje 20 anos que morreu José Afonso. O Zeca Afonso da música popular, da cantiga de intervenção da Liberdade. Aqui lhe presto homenagem, com a memória numa escola secundária de há 20 anos, onde meia dúzia de putos quiseram dar a conhecer o músico, o poeta e o lutador, acompanhados pela experiência de três ou quatro professores.
À Augusta, ao Arnaldo, à Risoleta, à Luisa, ao Carlos, à Rosalina, ao Júlio e ao FP, obrigado por nos terem ajudado a crescer e a compreender a importância do ensino em liberdade.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Casamentos perfeitos

Recomendo vivamente as sugestões de acasalamento do Jumento, hoje dia dos namorados.
Todas merecem a minha aprovação, mas confesso que nutro uma especial simpatia pelo amancebamento entre a dama de ferro do CDS e o metalurgico do PCP.
http://jumento.blogspot.com/

O TGV, as barragens, as gravuras e o acidente na Linha do Tua

É o Pais da Linha do Tua que nós queremos promover no estrangeiro. É o Pais que aposta na sustentabilidade dos seus recursos naturais e na beleza da sua paisagem para cativar forasteiros e, com isso, dinamizar a economia local e nacional.
Mas este é também um País de equívocos: o País onde poderá caber o TGV se a moeda de troca não for o isolamento do interior, se a aposta passar também pela animação de um interior desfavorecido. É um país de equívocos porque há dez anos se deveria ter construído a barragem de Foz Côa, para não colocar agora em risco de inundação artificial uma das mais belas zonas do território nacional. O que acontecerá se for construída a barragem do Alto Sabor e do Baixo Tua.
Alguém teve o cuidado de pensar na alternativa que estava em jogo com a decisão de não construir a barragem de Foz Côa? Que valores serão mais elevados... a preservação de gravuras que só meia dúzia de entendidos apreciam e que, dez anos depois, permanecem vedadas - sublinho vedadas - ao interesse público ou a destruição da paisagem natural das margens do rio Sabor, a linha da Tua e uma franja apreciável do Douro património da humanidade?

É preciso ir a Foz Côa perguntar à população o que pensa da não construção da barragem e que sonhos construiu nestes dez anos de profunda depressão económica.
Porque as gravuras não souberam nadar naquela que é só a zona mais seca da Europa, provavelmente teremos agora que assistir à construção das barragens no Tua e no Sabor.
E, desgraçadamente, o acidente na Linha do Tua terá dado uma boa ajuda.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Ainda o acidente da Linha do Tua

Oiço agora um jornalista de um dos canais televisivos dizer que o comandante dos bombeiros - que estava na Estação do Tua - apeadeiro da Linha do Douro e estação terminal da linha do Tua - foi, num vagão de assistência, até ao local do acidente. E que essa é a única forma de lá chegar.
Pois é. Apesar de todas as tentativas de acabar com linhas férreas em Portugal, nos últimos 20 anos, ainda há muito locais neste País onde só chega o comboio.
Espero, sinceramente, é que este acidente não dê o pretexto ao Terreiro do Paço para encerrar de vez a Linha do Tua. É que a última vez que se falou niso foi em Julho do ano passado.
E para os mais distraídos devo lembrar que a Linha do Tua era, há 20 anos, a maneira mais rápida de chegar a Bragança.
Depois, quando lá chegou o IP4 - essa maravilhosa estrada de montanha com o pavimento cheio do sangue dos mártires em acidentes rodoviários - o Terreiro do Paço encontrou o pretexto para acabar com metade da Linha do Tua, justamente a que ligava Mirandela a Bragança. Mesmo com o complexo industrial do Cachão desactivado falaram mais alto as vozes dos autarcas e manteve-se o troço Tua/Mirandela. Mas volta, não volta, surgem os rumores de que não é rentável, que não serve ninguém e tem custos de manutenção enormes.
Bem aventurados esses autarcas.

Linha do Tua

O desastre aconteceu na denominada zona do Baixo Tua, entre a estação do Tua, na Linha do Douro, e a estação de Santa Luzia, por volta do quilómetro quatro. É o troço de linha férrea mais espectacular, onde as pontes de ferro de Eifel marcam a paisagem numa harmonia perfeita entre o Homem e a Natureza.










Um sismo e o desastre na Linha do Tua

Bolas, depois do sismo de Lisboa, estava eu na cadeira do dentista, houve agora a notícia da queda de um comboio ao rio Tua. Caramba.
A linha do Tua, dizem, os entendidos é uma das mais belas linhas de montanha do mundo. Deixo ficar algumas imagens tiradas em 1998.

Sim

Apetece-me dizer: finalmente reconheceu-se o direito à liberdade de decidir. Mas penso que já foi tudo dito. Vou ficar à espera de ver o apoio às mães da parte dos ferverosos adeptos do não. E juntar-me a eles na acção.

Vale a pena consultar atentamente os resultados eleitorais, nos quais de uma forma nunca igualada se verificou uma divisão flagrante entre o Sim urbano e o Não rural. Porque será?
http://www.referendo.mj.pt/Pais.do

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Carminho & Sandra

(Com a devida vénia)
Carminho senta - se nos bancos almofadados do BMW da mãe. Chove lá fora .Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe conduz o carro e aperta - lhe ternamente a mão. Há muito trânsito na Lapa ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de Espanha.
(Mais a baixo na cidade) Sandra senta - se no banco côr - de - laranja do autocarro 22 que sai de Alcântara. Chove lá fora. Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe está sentada ao lado dela. Encosta o guarda - chuva aos pés gelados e aperta - lhe ternamente a mão. Há muito trânsito em Alcântara ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de casa de Uma Senhora.
O BMW e o autocarro 22 cruzam - se a subir a Avenida Infante Santo. Carminho despe - se a tremer sem nunca conseguir estancar o choro. Veste uma bata verde. Deita - se numa marquesa. É atendida por uma médica que lhe entoa palavras doces ao ouvido, enquanto lhe afaga o cabelo. Carminho sente - se a adormecer depois de respirar mais fundo o cheiro que a máscara exala. Chora enquanto dorme.
Sandra não se despe e treme muito sem conseguir estancar o choro. Nervosa , brinca com as tranças que a mãe lhe fez de manhã na tentativa de lhe recuperar a infância. A Senhora chega. A mãe entrega um envelope à Senhora. A Senhora abre - o e resmunga qualquer coisa. É altura de beber um liquido verde de sabor muito ácido. O copo está sujo, pensa Sandra. Sente - se doente e sabe que vai adormecer. Chora enquanto dorme.
Carminho acorda do seu sono induzido. Tem a mãe e a médica ao seu lado. Não sente dores no corpo mas as lágrimas não param de lhe correr cara abaixo. Sai da clínica de rosto destapado. Sabe -lhe bem o ar fresco da manhã. É tempo de regressar a casa. Quando a placa da União Europeia surge na estrada a dizer PORTUGAL, Carminho chora convulsivamente.
Sandra não acorda. E não acorda . E não acorda. A mãe geme baixinho desesperada ao seu lado. Pede à Senhora para chamar uma ambulância. A Senhora não deixa, ponha - se daqui para fora com a miúda, há uma cabine lá em baixo, livre - se de dizer a alguém que eu existo.
A mãe arrasta a Sandra inanimada escada a baixo. Um vizinho cansado, chama o 112 e a polícia. Sandra acorda no quarto 122 dias depois. As lágrimas cara abaixo. Não poderás ter mais filhos, Sandra, disse -lhe uma médica, emocionada. Sai do hospital de cara tapada, coberta por um lenço. Não sente o ar fresco da manhã.
No bolso junto ao útero magoado, a intimação para se apresentar a um tribunal do seu país: Portugal.
Eu voto sim . Pela Sandra e pela Carminho. Pelas suas mães e avós. Por mim.
Rita Ferro Rodrigues

No domingo vamos votar, sim?

Só para os mais esquecidos, o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez é no domingo.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

As minhas 7 maravilhas arquitectónicas de Portugal

Por esta ordem são estas as minhas sete maravilhas de Portugal:
  • Castelo de Almourol (Constância)
  • Convento de Cristo (Tomar)
  • Fortificações de Monsaraz (Reguengos de Monsaraz)
  • Paço Ducal de Vila Viçosa (Vila Viçosa)
  • Palácio Nacional da Pena (Sintra)
  • Castelo de Óbidos
  • Castelo de Guimarães

Mas com voto de protesto por não estar incluído na lista dos 21 finais (nem dos 77 nomeados!!!!!!!) o Santuário da Senhora da Peneda (Arcos de Valdevez), imponente exemplo da arquitectura religiosa bem no seio da Serra da Peneda, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

...E ainda o Castelo de Noudar, em Barrancos.

Pelo sim, porque não podemos continuar a assobiar para o lado

Só a indiferença (leia-se abstenção) pode derrotar o sim no referendo sobre a despenalização do aborto, no próximo domingo.
A hipocrisia não é suficiente (estou num dia particularmente optimista).

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Pequenos grandes milagres


Há pequenas coisas na vida que nos mudam para sempre. Que se reflectem em cada respirar, cada pensamento ou memória. Os milagres são as coisas pequeninas, são os passos de bebé ou de gigante que damos todos os dias e dos quais nem sempre damos conta.
Quando o Carlos, no meu quarto ano de curso, disse que os milagres aconteciam todos os dias, eu fiquei a pensar: «O que são estes milagres de que ele fala? Onde estão? Como é que os conseguimos ver?».
E hoje sei que me deparo com estas coisas inexplicáveis todos os dias. Com os amigos renovados, com o reinício do que pensava irremediavelmente perdido, com os banhos de energia brilhante com que me visto...
Aceito os milagres com credulidade, amor e esperança. Tento duplicá-los, sabendo que de milagreira tenho pouco, mas de aprendiz quero ter muito...
Dizia a alguem querido, no início deste ano, que 2007 seria um ano difícil e exigente. Agora acrescento que este pode ser, para mim, um dos mais felizes desta vida.

Os dias felizes...

Há dias assim, felizmente. O fim-de-semana foi cheio, como poucos nos últimos tempos. Com amigos novos, que nos fazem acreditar na vida e nos ajudam a renovar a esperança da partilha dos valores, nestes tempos de desilusão. E os amigos se sempre, aqueles onde a gente se encontra em todos os momentos. Uns e outros em convívio com tinto alentejano, do Couteiro-mor e uma mostra valente da mistura de castas da Adega Cooperativa de Borba.
E agora, a descer a avenida, de cabelo vermelho ao vento, aquela que será sempre a minha professora favorita sem nunca me ter dado aulas...
Que bons que são os dias assim.

Amendoeiras

Em alguns locais, mais protegidos do frio, já se vêem os primeiros rebentos das amendoeiras. Espectáculo que, lá para o fim do mês, promete polvilhar de branco as paisagens campestres de Trás-os-Montes e do Algarve.
Para os citadinos fica uma sugestão mais acessível: uma passeata pelo Parque da Bela Vista, onde se pode observar uma das mais belas vistas urbanas sobre meia Lisboa e onde meia dúzia de amendoeiras se impõem na paisagem.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Cinfães

Quantos autarcas socialistas votaram contra a nova Lei de Finanças Locais proposta pelo governo, durante o congresso extraordinário dos municipios portugueses em Outubro?
Dois - Odivelas e Cinfães, cujo autarca se destacou pelas críticas que dirigiu ao presidente da câmara de Viseu, por coincidência o autarca que também preside à Associação Nacional de Municipuios Portugueses.

O fim da urgências hospitalares


O governo decidiu o encerramento de 15 urgências hospitalares. São elas:
Peso da Régua, Macedo de Cavaleiros, Vila do Conde, Fafe, Santo Tirso, S. João da Madeira, Ovar, Espinho, Estarreja, Cantanhede, Peniche, Fundão, Curry Cabral (lisboa) e Montijo.
À última da hora, Cinfães, que inicialmente fazia parte do grupo, deixou de pertencer à lista, salvaguardando-se a sua urgência, alegadamente porque as acessibilidades - no sopé da Serra de Montemuro - tornariam ainda mais penosas as descloações hospitalares urgentes. Em sua substituição - proque parece que era mesmo esswencial manter os 15 encerramentos - entrou Peniche.
Não se percebe.
Já aqui o escrevi antes, que não em parece sensato encerrar pontos de urgência no País. Mas também não me parece democrático, desfavorecer claramente populações no seu acesso a urgências. Ainda estamos no rescaldo dos casos quer revelaram o atraso na prestação de socorros, que continua a vitimar pessoas em todo o País fora das grandes áreas urbanas e de que os dois casos de Odemira são apenas um tímido exemplo.
Não é sensato, não é democrático e é injusto. Muito injusto.

Alguns dados estatísticos sobre estas urgências:
Sete ficam em concelhos PSD (Peso da Régua, S. João da Madeira, Estarreja, Cantanhede, Fundão e Lisboa)
Seis são lideradas pelo PS (Vila do Conde, Fafe, Santo Tirso, Ovar, Espinho, Montijo)
Uma é gerida pela CDU (Peniche)
Aveiro é o distrito mais penalizado com 4 urgências encerradas (S. João da Madeira, Estarreja Ovar e Espinho). Fecham duas no distrito do Porto, e uma em Bragança, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Leiria e Vila Real.
É a seguinte a população afectada:
Peso da Régua (17987), Macedo de Cavaleiros (17210) Vila do Conde (75981), Fafe (53528), Santo Tirso (71623), S. João da Madeira (21538) Ovar (56715), Espinho (31703), Estarreja (28279) Cantanhede (38590), Peniche (28164), Fundão (31297), Curry Cabral (Lisboa) e Montijo (40466)
Sem contar com a população abrangida pelo Hospital Curry Cabral, em Lisboa, serão mais de 513 mil pessoas afectadas com a nova reorganização que, segundo o ministério pretende colocar os cidadãos a menos de meia-hora de um ponto de urgência hospitalar.
Não deixa de ser curioso que o próprio relatório que propõe estes encerramentos, admita que possa haver 60 mil pessoas que, afinal, possam ficar a uma hora de distância do serviço de urgência mais perto.
Parece, uma vez mais, pouco democrático e injusto. Quanto à sensatez, estamos conversados...

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Pelo direito da criança a ser desejada...

Devia ter para ai 16 anos quando a Zita Seabra defendia, com a sanha que se lhe conhece, a liberalização do aborto no Parlamento.
Nós, jovens activistas da vida, cheias de ganas de mudar o mundo à força de o querer tanto, de corrigir injustiças e sempre disponíveis para as lutas pelo que considerávamos certas, passávamos horas a discutir o mundo, a ouvir e a esgrimir argumentos. O aborto era apenas mais um tema de discussão. Alguém - que já nessa altura assumira uma importância definitiva na minha vida - destoava do resto do grupo e, sem mais argumentações, considerava o aborto um crime. Intolerável. Nada, nunca, o justificaria.
Felizmente, para o sim e para o não, os argumentos, 20 anos depois, suavizaram-se. Da mesma forma que nos acalmou a gana, a vida também nos ensina a pensar melhor na opinião contrária.
No fervor da discussão, cansada de puxar pelos argumentos do primeiro direito da criança a ser desejada, da falta de condições para criar uma criança, da hipocrisia da sociedade que assobia para o lado a fingir que não sabe e não vê, disse-lhe, e ainda hoje penso assim:
É uma questão de liberdade. E a liberdade é um direito inalienável da civilização: Se o aborto for permitido, uma mulher que seja contra o aborto não será obrigada a fazê-lo, mas se o aborto continuar ilegal a mulher que precise de o fazer continuará impedida, porque se o fizer será sempre uma criminosa.
Eu voto sim. Pelo primeiro direito de uma criança: Ser desejada!

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Um furacão na Europa


A forte tempestade que, desde ontem, fustigou a Europa central e do norte já causou 38 mortos.
Parece incrível como a intempérie consegue por o Velho Continente - normalmente tão poupado às fúrias da Natureza - em estado catastrófico.
Os ventos que ultrapassaram os 160 quilómetros por hora no Reino Unido e Alemanha derrubaram árvores, arrancaram sinais de trânsito, telhados, levantaram automóveis do chão, viraram camiões. As estações de comboio e auto-estradas foram encerradas e muitos voos foram suspensos. As cidades pararam.
E ainda há quem pense que as alterações climáticas são apenas um capricho dos ecologistas. O pior cego, como diz a sabedoria popular, é mesmo aquele que não quer ver. Que não quer sentir, quer não quer saber.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Encolher a cidade para escapar à multa


O 24 horas trazia ontem uma notícia espantosa, depois repescada pelo Observatório do Algarve sem fazer referência à notícia original: Um dia depois de o presidente da Junta de Freguesia de Quarteira ter sido apanhado em excesso de velocidade (78 km/h) na recta que dá acesso à sua cidade, a placa indicativa de inicio de localidade - na frente da qual só se pode circular a 50 Km/h - avançou 150 metros, fazendo com isso encolher os limites administrativos da cidade de Quarteira.
O sr. presidente da Junta, Horácio Piedade, garante que só falou com o vereador do Trânsito na Câmara de Loulé, desabafando sobre a injustiça da multa (quando nos toca, dói à brava...). Além de não ter competências para o fazer, garante não ter sido ele a mandar encolher a cidade.
Solidário, o sr. presidente da câmara de Loulé, Seruca Emidío, veio a público (honra lhe seja feita) reconhecer que tinha sido a Câmara, por determinadação sua, a fazer a alteração e explicou ter sido uma coincidência a alteração dos limites admnistrativos da cidade, logo a seguir à multa por excesso de velocidade do sr. presidente da Junta de Quarteira. Explicou Seruca Emídio que a medida foi ponderada e decidida devido aos inúmeros protestos de cidadãos incautos que ali são apanhados em excesso de velocidade. As queixas pelos vistos eram muitas, tal como muitos eram os cidadãos que, ao entrar na cidade, ali circulavam a mais de 50 km/h.
Agora, durante mais 150 metros,graças à ponderada medida camarária, os quarteirenses poderão circular a 90 km/h.
A GNR, diz o jornal, ficou indignada e apresentou queixa ao Ministério Público.
Confesso não saber ao certo, mas vou-me informar, se as placas indicativas de cidade são assim como os marcos cadastrais para delimitação dos terrenos rústicos. Vou averiguar, porque se assim for, não é uma violação administrativa mas sim um crime promovido por uma entidade pública. O que não deixa de ter a sua piada, convenhamos.
Mas partilho aqui uma outra apreensão: o sr. presidente da Junta de Quarteira, Horácio Piedade, justificou-se dizendo que ia com pressa para uma reunião na câmara municipal. Ia, portanto, em serviço público. Assim, será de esperar que a coima inerente ao excesso de velocidade seja apresentada para cobrança à Junta de Freguesia? Será????
Não sei em que rúbrica a poderá o sr. presidente da Junta cabimentar, mas do pouco que conheço do POCAL não me lembro de ter visto qualquer rúbrica para coimas. Falaremos de despesas de contexto ou de representação?
Espero sinceramente que a Assembleia de Freguesia de Quarteira esteja atenta à aprovação das contas de 2007 da Junta de Freguesia.

Foguetes. Viva!!!


Alvíssaras! Vejam só meu contentamento.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Aleluia!!!!!!!