quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Casamentos perfeitos
Recomendo vivamente as sugestões de acasalamento do Jumento, hoje dia dos namorados.
Todas merecem a minha aprovação, mas confesso que nutro uma especial simpatia pelo amancebamento entre a dama de ferro do CDS e o metalurgico do PCP.
http://jumento.blogspot.com/
Todas merecem a minha aprovação, mas confesso que nutro uma especial simpatia pelo amancebamento entre a dama de ferro do CDS e o metalurgico do PCP.
http://jumento.blogspot.com/
O TGV, as barragens, as gravuras e o acidente na Linha do Tua
É o Pais da Linha do Tua que nós queremos promover no estrangeiro. É o Pais que aposta na sustentabilidade dos seus recursos naturais e na beleza da sua paisagem para cativar forasteiros e, com isso, dinamizar a economia local e nacional.
Mas este é também um País de equívocos: o País onde poderá caber o TGV se a moeda de troca não for o isolamento do interior, se a aposta passar também pela animação de um interior desfavorecido. É um país de equívocos porque há dez anos se deveria ter construído a barragem de Foz Côa, para não colocar agora em risco de inundação artificial uma das mais belas zonas do território nacional. O que acontecerá se for construída a barragem do Alto Sabor e do Baixo Tua.
Alguém teve o cuidado de pensar na alternativa que estava em jogo com a decisão de não construir a barragem de Foz Côa? Que valores serão mais elevados... a preservação de gravuras que só meia dúzia de entendidos apreciam e que, dez anos depois, permanecem vedadas - sublinho vedadas - ao interesse público ou a destruição da paisagem natural das margens do rio Sabor, a linha da Tua e uma franja apreciável do Douro património da humanidade?
É preciso ir a Foz Côa perguntar à população o que pensa da não construção da barragem e que sonhos construiu nestes dez anos de profunda depressão económica.
Porque as gravuras não souberam nadar naquela que é só a zona mais seca da Europa, provavelmente teremos agora que assistir à construção das barragens no Tua e no Sabor.
E, desgraçadamente, o acidente na Linha do Tua terá dado uma boa ajuda.
Mas este é também um País de equívocos: o País onde poderá caber o TGV se a moeda de troca não for o isolamento do interior, se a aposta passar também pela animação de um interior desfavorecido. É um país de equívocos porque há dez anos se deveria ter construído a barragem de Foz Côa, para não colocar agora em risco de inundação artificial uma das mais belas zonas do território nacional. O que acontecerá se for construída a barragem do Alto Sabor e do Baixo Tua.
Alguém teve o cuidado de pensar na alternativa que estava em jogo com a decisão de não construir a barragem de Foz Côa? Que valores serão mais elevados... a preservação de gravuras que só meia dúzia de entendidos apreciam e que, dez anos depois, permanecem vedadas - sublinho vedadas - ao interesse público ou a destruição da paisagem natural das margens do rio Sabor, a linha da Tua e uma franja apreciável do Douro património da humanidade?
É preciso ir a Foz Côa perguntar à população o que pensa da não construção da barragem e que sonhos construiu nestes dez anos de profunda depressão económica.
Porque as gravuras não souberam nadar naquela que é só a zona mais seca da Europa, provavelmente teremos agora que assistir à construção das barragens no Tua e no Sabor.
E, desgraçadamente, o acidente na Linha do Tua terá dado uma boa ajuda.
Etiquetas:
barragens,
gravuras,
Linha do Tua,
Sabor,
TGV
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Ainda o acidente da Linha do Tua
Oiço agora um jornalista de um dos canais televisivos dizer que o comandante dos bombeiros - que estava na Estação do Tua - apeadeiro da Linha do Douro e estação terminal da linha do Tua - foi, num vagão de assistência, até ao local do acidente. E que essa é a única forma de lá chegar.
Pois é. Apesar de todas as tentativas de acabar com linhas férreas em Portugal, nos últimos 20 anos, ainda há muito locais neste País onde só chega o comboio.
Espero, sinceramente, é que este acidente não dê o pretexto ao Terreiro do Paço para encerrar de vez a Linha do Tua. É que a última vez que se falou niso foi em Julho do ano passado.
E para os mais distraídos devo lembrar que a Linha do Tua era, há 20 anos, a maneira mais rápida de chegar a Bragança.
Depois, quando lá chegou o IP4 - essa maravilhosa estrada de montanha com o pavimento cheio do sangue dos mártires em acidentes rodoviários - o Terreiro do Paço encontrou o pretexto para acabar com metade da Linha do Tua, justamente a que ligava Mirandela a Bragança. Mesmo com o complexo industrial do Cachão desactivado falaram mais alto as vozes dos autarcas e manteve-se o troço Tua/Mirandela. Mas volta, não volta, surgem os rumores de que não é rentável, que não serve ninguém e tem custos de manutenção enormes.
Bem aventurados esses autarcas.
Linha do Tua
O desastre aconteceu na denominada zona do Baixo Tua, entre a estação do Tua, na Linha do Douro, e a estação de Santa Luzia, por volta do quilómetro quatro. É o troço de linha férrea mais espectacular, onde as pontes de ferro de Eifel marcam a paisagem numa harmonia perfeita entre o Homem e a Natureza.

Um sismo e o desastre na Linha do Tua
Sim
Apetece-me dizer: finalmente reconheceu-se o direito à liberdade de decidir. Mas penso que já foi tudo dito. Vou ficar à espera de ver o apoio às mães da parte dos ferverosos adeptos do não. E juntar-me a eles na acção.
Vale a pena consultar atentamente os resultados eleitorais, nos quais de uma forma nunca igualada se verificou uma divisão flagrante entre o Sim urbano e o Não rural. Porque será?
http://www.referendo.mj.pt/Pais.do
Vale a pena consultar atentamente os resultados eleitorais, nos quais de uma forma nunca igualada se verificou uma divisão flagrante entre o Sim urbano e o Não rural. Porque será?
http://www.referendo.mj.pt/Pais.do
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Carminho & Sandra
(Com a devida vénia)
Carminho senta - se nos bancos almofadados do BMW da mãe. Chove lá fora .Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe conduz o carro e aperta - lhe ternamente a mão. Há muito trânsito na Lapa ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de Espanha.
Carminho senta - se nos bancos almofadados do BMW da mãe. Chove lá fora .Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe conduz o carro e aperta - lhe ternamente a mão. Há muito trânsito na Lapa ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de Espanha.
(Mais a baixo na cidade) Sandra senta - se no banco côr - de - laranja do autocarro 22 que sai de Alcântara. Chove lá fora. Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe está sentada ao lado dela. Encosta o guarda - chuva aos pés gelados e aperta - lhe ternamente a mão. Há muito trânsito em Alcântara ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de casa de Uma Senhora.
O BMW e o autocarro 22 cruzam - se a subir a Avenida Infante Santo. Carminho despe - se a tremer sem nunca conseguir estancar o choro. Veste uma bata verde. Deita - se numa marquesa. É atendida por uma médica que lhe entoa palavras doces ao ouvido, enquanto lhe afaga o cabelo. Carminho sente - se a adormecer depois de respirar mais fundo o cheiro que a máscara exala. Chora enquanto dorme.
Sandra não se despe e treme muito sem conseguir estancar o choro. Nervosa , brinca com as tranças que a mãe lhe fez de manhã na tentativa de lhe recuperar a infância. A Senhora chega. A mãe entrega um envelope à Senhora. A Senhora abre - o e resmunga qualquer coisa. É altura de beber um liquido verde de sabor muito ácido. O copo está sujo, pensa Sandra. Sente - se doente e sabe que vai adormecer. Chora enquanto dorme.
Carminho acorda do seu sono induzido. Tem a mãe e a médica ao seu lado. Não sente dores no corpo mas as lágrimas não param de lhe correr cara abaixo. Sai da clínica de rosto destapado. Sabe -lhe bem o ar fresco da manhã. É tempo de regressar a casa. Quando a placa da União Europeia surge na estrada a dizer PORTUGAL, Carminho chora convulsivamente.
Sandra não acorda. E não acorda . E não acorda. A mãe geme baixinho desesperada ao seu lado. Pede à Senhora para chamar uma ambulância. A Senhora não deixa, ponha - se daqui para fora com a miúda, há uma cabine lá em baixo, livre - se de dizer a alguém que eu existo.
A mãe arrasta a Sandra inanimada escada a baixo. Um vizinho cansado, chama o 112 e a polícia. Sandra acorda no quarto 122 dias depois. As lágrimas cara abaixo. Não poderás ter mais filhos, Sandra, disse -lhe uma médica, emocionada. Sai do hospital de cara tapada, coberta por um lenço. Não sente o ar fresco da manhã.
No bolso junto ao útero magoado, a intimação para se apresentar a um tribunal do seu país: Portugal.
Eu voto sim . Pela Sandra e pela Carminho. Pelas suas mães e avós. Por mim.
Rita Ferro Rodrigues
No domingo vamos votar, sim?
Só para os mais esquecidos, o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez é no domingo.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
As minhas 7 maravilhas arquitectónicas de Portugal
Por esta ordem são estas as minhas sete maravilhas de Portugal: - Castelo de Almourol (Constância)
- Fortificações de Monsaraz (Reguengos de Monsaraz)
- Paço Ducal de Vila Viçosa (Vila Viçosa)
- Palácio Nacional da Pena (Sintra)
- Castelo de Óbidos
- Castelo de Guimarães
Mas com voto de protesto por não estar incluído na lista dos 21 finais (nem dos 77 nomeados!!!!!!!) o Santuário da Senhora da Peneda (Arcos de Valdevez), imponente exemplo da arquitectura religiosa bem no seio da Serra da Peneda, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
...E ainda o Castelo de Noudar, em Barrancos.
Pelo sim, porque não podemos continuar a assobiar para o lado
Só a indiferença (leia-se abstenção) pode derrotar o sim no referendo sobre a despenalização do aborto, no próximo domingo.
A hipocrisia não é suficiente (estou num dia particularmente optimista).
Etiquetas:
aborto,
hipocrisia
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Pequenos grandes milagres

Há pequenas coisas na vida que nos mudam para sempre. Que se reflectem em cada respirar, cada pensamento ou memória. Os milagres são as coisas pequeninas, são os passos de bebé ou de gigante que damos todos os dias e dos quais nem sempre damos conta.
Quando o Carlos, no meu quarto ano de curso, disse que os milagres aconteciam todos os dias, eu fiquei a pensar: «O que são estes milagres de que ele fala? Onde estão? Como é que os conseguimos ver?».
E hoje sei que me deparo com estas coisas inexplicáveis todos os dias. Com os amigos renovados, com o reinício do que pensava irremediavelmente perdido, com os banhos de energia brilhante com que me visto...
Aceito os milagres com credulidade, amor e esperança. Tento duplicá-los, sabendo que de milagreira tenho pouco, mas de aprendiz quero ter muito...
Dizia a alguem querido, no início deste ano, que 2007 seria um ano difícil e exigente. Agora acrescento que este pode ser, para mim, um dos mais felizes desta vida.
Os dias felizes...
Há dias assim, felizmente. O fim-de-semana foi cheio, como poucos nos últimos tempos. Com amigos novos, que nos fazem acreditar na vida e nos ajudam a renovar a esperança da partilha dos valores, nestes tempos de desilusão. E os amigos se sempre, aqueles onde a gente se encontra em todos os momentos. Uns e outros em convívio com tinto alentejano, do Couteiro-mor e uma mostra valente da mistura de castas da Adega Cooperativa de Borba.
E agora, a descer a avenida, de cabelo vermelho ao vento, aquela que será sempre a minha professora favorita sem nunca me ter dado aulas...
Que bons que são os dias assim.
E agora, a descer a avenida, de cabelo vermelho ao vento, aquela que será sempre a minha professora favorita sem nunca me ter dado aulas...
Que bons que são os dias assim.
Amendoeiras
Em alguns locais, mais protegidos do frio, já se vêem os primeiros rebentos das amendoeiras. Espectáculo que, lá para o fim do mês, promete polvilhar de branco as paisagens campestres de Trás-os-Montes e do Algarve.
Para os citadinos fica uma sugestão mais acessível: uma passeata pelo Parque da Bela Vista, onde se pode observar uma das mais belas vistas urbanas sobre meia Lisboa e onde meia dúzia de amendoeiras se impõem na paisagem.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Cinfães
Quantos autarcas socialistas votaram contra a nova Lei de Finanças Locais proposta pelo governo, durante o congresso extraordinário dos municipios portugueses em Outubro?
Dois - Odivelas e Cinfães, cujo autarca se destacou pelas críticas que dirigiu ao presidente da câmara de Viseu, por coincidência o autarca que também preside à Associação Nacional de Municipuios Portugueses.
Etiquetas:
Cidades,
Munícipios
O fim da urgências hospitalares

O governo decidiu o encerramento de 15 urgências hospitalares. São elas:
Peso da Régua, Macedo de Cavaleiros, Vila do Conde, Fafe, Santo Tirso, S. João da Madeira, Ovar, Espinho, Estarreja, Cantanhede, Peniche, Fundão, Curry Cabral (lisboa) e Montijo.
À última da hora, Cinfães, que inicialmente fazia parte do grupo, deixou de pertencer à lista, salvaguardando-se a sua urgência, alegadamente porque as acessibilidades - no sopé da Serra de Montemuro - tornariam ainda mais penosas as descloações hospitalares urgentes. Em sua substituição - proque parece que era mesmo esswencial manter os 15 encerramentos - entrou Peniche.
Não se percebe.
Já aqui o escrevi antes, que não em parece sensato encerrar pontos de urgência no País. Mas também não me parece democrático, desfavorecer claramente populações no seu acesso a urgências. Ainda estamos no rescaldo dos casos quer revelaram o atraso na prestação de socorros, que continua a vitimar pessoas em todo o País fora das grandes áreas urbanas e de que os dois casos de Odemira são apenas um tímido exemplo.
Não é sensato, não é democrático e é injusto. Muito injusto.
Alguns dados estatísticos sobre estas urgências:
Sete ficam em concelhos PSD (Peso da Régua, S. João da Madeira, Estarreja, Cantanhede, Fundão e Lisboa)
Seis são lideradas pelo PS (Vila do Conde, Fafe, Santo Tirso, Ovar, Espinho, Montijo)
Uma é gerida pela CDU (Peniche)
Aveiro é o distrito mais penalizado com 4 urgências encerradas (S. João da Madeira, Estarreja Ovar e Espinho). Fecham duas no distrito do Porto, e uma em Bragança, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Leiria e Vila Real.
É a seguinte a população afectada:
Peso da Régua (17987), Macedo de Cavaleiros (17210) Vila do Conde (75981), Fafe (53528), Santo Tirso (71623), S. João da Madeira (21538) Ovar (56715), Espinho (31703), Estarreja (28279) Cantanhede (38590), Peniche (28164), Fundão (31297), Curry Cabral (Lisboa) e Montijo (40466)
Peso da Régua, Macedo de Cavaleiros, Vila do Conde, Fafe, Santo Tirso, S. João da Madeira, Ovar, Espinho, Estarreja, Cantanhede, Peniche, Fundão, Curry Cabral (lisboa) e Montijo.
À última da hora, Cinfães, que inicialmente fazia parte do grupo, deixou de pertencer à lista, salvaguardando-se a sua urgência, alegadamente porque as acessibilidades - no sopé da Serra de Montemuro - tornariam ainda mais penosas as descloações hospitalares urgentes. Em sua substituição - proque parece que era mesmo esswencial manter os 15 encerramentos - entrou Peniche.
Não se percebe.
Já aqui o escrevi antes, que não em parece sensato encerrar pontos de urgência no País. Mas também não me parece democrático, desfavorecer claramente populações no seu acesso a urgências. Ainda estamos no rescaldo dos casos quer revelaram o atraso na prestação de socorros, que continua a vitimar pessoas em todo o País fora das grandes áreas urbanas e de que os dois casos de Odemira são apenas um tímido exemplo.
Não é sensato, não é democrático e é injusto. Muito injusto.
Alguns dados estatísticos sobre estas urgências:
Sete ficam em concelhos PSD (Peso da Régua, S. João da Madeira, Estarreja, Cantanhede, Fundão e Lisboa)
Seis são lideradas pelo PS (Vila do Conde, Fafe, Santo Tirso, Ovar, Espinho, Montijo)
Uma é gerida pela CDU (Peniche)
Aveiro é o distrito mais penalizado com 4 urgências encerradas (S. João da Madeira, Estarreja Ovar e Espinho). Fecham duas no distrito do Porto, e uma em Bragança, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Leiria e Vila Real.
É a seguinte a população afectada:
Peso da Régua (17987), Macedo de Cavaleiros (17210) Vila do Conde (75981), Fafe (53528), Santo Tirso (71623), S. João da Madeira (21538) Ovar (56715), Espinho (31703), Estarreja (28279) Cantanhede (38590), Peniche (28164), Fundão (31297), Curry Cabral (Lisboa) e Montijo (40466)
Sem contar com a população abrangida pelo Hospital Curry Cabral, em Lisboa, serão mais de 513 mil pessoas afectadas com a nova reorganização que, segundo o ministério pretende colocar os cidadãos a menos de meia-hora de um ponto de urgência hospitalar.
Não deixa de ser curioso que o próprio relatório que propõe estes encerramentos, admita que possa haver 60 mil pessoas que, afinal, possam ficar a uma hora de distância do serviço de urgência mais perto.
Parece, uma vez mais, pouco democrático e injusto. Quanto à sensatez, estamos conversados...
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Pelo direito da criança a ser desejada...
Devia ter para ai 16 anos quando a Zita Seabra defendia, com a sanha que se lhe conhece, a liberalização do aborto no Parlamento.
Nós, jovens activistas da vida, cheias de ganas de mudar o mundo à força de o querer tanto, de corrigir injustiças e sempre disponíveis para as lutas pelo que considerávamos certas, passávamos horas a discutir o mundo, a ouvir e a esgrimir argumentos. O aborto era apenas mais um tema de discussão. Alguém - que já nessa altura assumira uma importância definitiva na minha vida - destoava do resto do grupo e, sem mais argumentações, considerava o aborto um crime. Intolerável. Nada, nunca, o justificaria.
Felizmente, para o sim e para o não, os argumentos, 20 anos depois, suavizaram-se. Da mesma forma que nos acalmou a gana, a vida também nos ensina a pensar melhor na opinião contrária.
No fervor da discussão, cansada de puxar pelos argumentos do primeiro direito da criança a ser desejada, da falta de condições para criar uma criança, da hipocrisia da sociedade que assobia para o lado a fingir que não sabe e não vê, disse-lhe, e ainda hoje penso assim:
É uma questão de liberdade. E a liberdade é um direito inalienável da civilização: Se o aborto for permitido, uma mulher que seja contra o aborto não será obrigada a fazê-lo, mas se o aborto continuar ilegal a mulher que precise de o fazer continuará impedida, porque se o fizer será sempre uma criminosa.
Eu voto sim. Pelo primeiro direito de uma criança: Ser desejada!
Nós, jovens activistas da vida, cheias de ganas de mudar o mundo à força de o querer tanto, de corrigir injustiças e sempre disponíveis para as lutas pelo que considerávamos certas, passávamos horas a discutir o mundo, a ouvir e a esgrimir argumentos. O aborto era apenas mais um tema de discussão. Alguém - que já nessa altura assumira uma importância definitiva na minha vida - destoava do resto do grupo e, sem mais argumentações, considerava o aborto um crime. Intolerável. Nada, nunca, o justificaria.
Felizmente, para o sim e para o não, os argumentos, 20 anos depois, suavizaram-se. Da mesma forma que nos acalmou a gana, a vida também nos ensina a pensar melhor na opinião contrária.
No fervor da discussão, cansada de puxar pelos argumentos do primeiro direito da criança a ser desejada, da falta de condições para criar uma criança, da hipocrisia da sociedade que assobia para o lado a fingir que não sabe e não vê, disse-lhe, e ainda hoje penso assim:
É uma questão de liberdade. E a liberdade é um direito inalienável da civilização: Se o aborto for permitido, uma mulher que seja contra o aborto não será obrigada a fazê-lo, mas se o aborto continuar ilegal a mulher que precise de o fazer continuará impedida, porque se o fizer será sempre uma criminosa.
Eu voto sim. Pelo primeiro direito de uma criança: Ser desejada!
Etiquetas:
aborto
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Um furacão na Europa

A forte tempestade que, desde ontem, fustigou a Europa central e do norte já causou 38 mortos.
Parece incrível como a intempérie consegue por o Velho Continente - normalmente tão poupado às fúrias da Natureza - em estado catastrófico.
Os ventos que ultrapassaram os 160 quilómetros por hora no Reino Unido e Alemanha derrubaram árvores, arrancaram sinais de trânsito, telhados, levantaram automóveis do chão, viraram camiões. As estações de comboio e auto-estradas foram encerradas e muitos voos foram suspensos. As cidades pararam.
E ainda há quem pense que as alterações climáticas são apenas um capricho dos ecologistas. O pior cego, como diz a sabedoria popular, é mesmo aquele que não quer ver. Que não quer sentir, quer não quer saber.
Etiquetas:
aquecimento global
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Encolher a cidade para escapar à multa
O 24 horas trazia ontem uma notícia espantosa, depois repescada pelo Observatório do Algarve sem fazer referência à notícia original: Um dia depois de o presidente da Junta de Freguesia de Quarteira ter sido apanhado em excesso de velocidade (78 km/h) na recta que dá acesso à sua cidade, a placa indicativa de inicio de localidade - na frente da qual só se pode circular a 50 Km/h - avançou 150 metros, fazendo com isso encolher os limites administrativos da cidade de Quarteira.
O sr. presidente da Junta, Horácio Piedade, garante que só falou com o vereador do Trânsito na Câmara de Loulé, desabafando sobre a injustiça da multa (quando nos toca, dói à brava...). Além de não ter competências para o fazer, garante não ter sido ele a mandar encolher a cidade.
Solidário, o sr. presidente da câmara de Loulé, Seruca Emidío, veio a público (honra lhe seja feita) reconhecer que tinha sido a Câmara, por determinadação sua, a fazer a alteração e explicou ter sido uma coincidência a alteração dos limites admnistrativos da cidade, logo a seguir à multa por excesso de velocidade do sr. presidente da Junta de Quarteira. Explicou Seruca Emídio que a medida foi ponderada e decidida devido aos inúmeros protestos de cidadãos incautos que ali são apanhados em excesso de velocidade. As queixas pelos vistos eram muitas, tal como muitos eram os cidadãos que, ao entrar na cidade, ali circulavam a mais de 50 km/h.
Agora, durante mais 150 metros,graças à ponderada medida camarária, os quarteirenses poderão circular a 90 km/h.
A GNR, diz o jornal, ficou indignada e apresentou queixa ao Ministério Público.
Confesso não saber ao certo, mas vou-me informar, se as placas indicativas de cidade são assim como os marcos cadastrais para delimitação dos terrenos rústicos. Vou averiguar, porque se assim for, não é uma violação administrativa mas sim um crime promovido por uma entidade pública. O que não deixa de ter a sua piada, convenhamos.
Mas partilho aqui uma outra apreensão: o sr. presidente da Junta de Quarteira, Horácio Piedade, justificou-se dizendo que ia com pressa para uma reunião na câmara municipal. Ia, portanto, em serviço público. Assim, será de esperar que a coima inerente ao excesso de velocidade seja apresentada para cobrança à Junta de Freguesia? Será????
Não sei em que rúbrica a poderá o sr. presidente da Junta cabimentar, mas do pouco que conheço do POCAL não me lembro de ter visto qualquer rúbrica para coimas. Falaremos de despesas de contexto ou de representação?
Espero sinceramente que a Assembleia de Freguesia de Quarteira esteja atenta à aprovação das contas de 2007 da Junta de Freguesia.
Etiquetas:
Cidades
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Subscrever:
Mensagens (Atom)







