sexta-feira, maio 11, 2007

Uma esperança para Lisboa

Gostei de ouvir Helena Roseta no canal 2, ontem. E senti nas suas palavras esperança para a minha cidade. Uma esperança que nasce na necessidade de renovação da política e na envolvência dos cidadãos na gestão da sua cidade. Ainda há quem tenha coragem e determinação para actos voluntariosos, em tempos de indiferença, e quem se sente com força motriz suficiente para mudar a lógica de intervenção política na cidade. Valorizando o seu principal capital: as pessoas. Só por essa esperança a candidatura de Helena Roseta já vale a pena.

quinta-feira, maio 10, 2007

Começou a explosão dos jacarandás

É oficial. Hoje, dia 10 de Maio de 2007 surgiram os primeiros cachos de flor nos Jacarandás do Rossio, da rua Barata Salgueiro e do Parque Eduardo VII. Creio que os 30 graus que nos úlitmos dois dias se fizeram sentir, contribuíram para a antecipação do período de floração.
São flores tímidas ainda, mas auspiciam já a imensa floração que deve atingir o seu auge nas próximas duas semanas.
Fica bonita, assim, a minha cidade.

quarta-feira, maio 09, 2007

Os tortuosos caminhos da (in)Justiça portuguesa

O Tribunal da Relação de Coimbra acabou de apreciar um recurso do sargento Luis Gomes, o pai adoptivo de Esmeralda, e determinou a sua libertação imediata, com pena suspensa - consequência da redução da pena de rapto a que o tribunal de Primeria Instância o havia condenado. Foi a forma airosa de reparar uma injustiça flagrante que, muito justamente, indignou todos os que amam, por generosidade.
São tortuosos os caminhos da Justiça portuguesa, uma justiça (com caixa muito baixa) que pensa que os pais só por conceberem e darem à luz são donos dos filhos.
É uma justiça rídicula, escudada numa lei fria e doente, que não tem em conta os afectos e, sobretudo, não tem em conta os modos de vida, a esperança e, neste caso, o direito de uma criança a viver com aqueles que, não sendo seus pais de sangue, lhe chamam filha, com todo o amor do Mundo.
A minha mãe sempre me disse, e eu aprendi, que parir é dor e criar é amor. Pode o direito das leis compreender isto? Pode, mas se calhar com outros magistrados, com menos nós na cabeça.

terça-feira, maio 08, 2007

No País do Simplex (ou será dos simples...)

Eu já sabia que os preços dos notários eram diferentes, de uns para os outros. Até sabia, que os actos formais de reconhecimento de assinatura, ainda que simples, podem demorar muito tempo. O que eu não sabia, de todo, é que uma procuração para um acto simples tem dois preços, isto se a procuração for dactilografada ou escrita pelo próprio manualmente e na presença do escrivão.
Eu explico:
a) Se eu levar uma procuração dactilografada e, na presença do escrivão, a assinar pago qualquer coisa como 45 a 48 euros. Eu e o escrivão perdemos 5 minutos: eu a assinar e ele a reconhecer a minha assinatura, sinónimo da minha vontade.
b) Se eu escrever a procuração ali no momento, perante o escrivão, seguindo a minuta previamente estabelecida, pago qualquer coisa como 8 a 19 euros. Eu e o escrivão perdemos, no mínimo, meia-hora. Isto se a procuração for passada por mim que fiz a 4ª classe, pois se for passada por uma pessoa que tenha dificuldade em escrever poderemos passar ali uma hora.
Os dois preços significam a diferença do mesmo acto, que eu encontrei num cartório de Lisboa e num cartório do Cartaxo.
Confusa na falta de senso, explicou-me o paciente funcionário: assim eu verifico que a pessoa que assina está consciente - porque escreveu pelo seu pulso - do teor da procuração que passa.
E se eu levasse a procuração já feita não estaria consciente do acto?
Convém recordar que este acto notarial consiste no reconhecimento da assinatura através do Bilhete de Identidade e não na escrita da pessoa que manifesta a vontade de designar outra seu(ua) procurador(a).
Das duas uma: ou andamos todos maluquinhos ou andamos a brincar ao faz de conta que vivemos num País moderno e descomplicado.
Volta Max Webber, estás perdoado.

Uma petição para que nada fique na mesma...

Está a decorrer uma petição online para exigir o apuramento de responsabilidades sobre o abate de 200 plátanos e jacarandás no Jardim do Campo Pequeno.

Parece-me fundamental que os cidadãos de Lisboa conheçam o(s) parecer(es) técnicos que serviram de suporte ao abate das árvores. Parece-me igualmente essencial do ponto de vista da transparência dos actos administrativos - e para que se possa afastar de vez quaisquer suspeitas - que seja conhecido o protocolo celebrado com a empresa responsável pelas obras da antiga praça de touros.
Foi também por isso que subscrevi a petição.
http://www.gopetition.com/online/12119.html

segunda-feira, maio 07, 2007

Os cheiros que deixámos de sentir no Campo Pequeno

Ainda tenho no corpo uma mistura de alecrim, alfazema, cidreira e loureiro que a minha mãe me pos nos braços, antes de me vir embora. E é com estes cheiros que leio o correio electrónico de hoje, com muitos apelos à indignação contra o abate das árvores do Campo Pequeno.
Caíram primeiro as árvores do que a câmara, mas todos somos poucos para denunciar o crime. Para que os Jacarandás e os Plátanos não tenham caído em vão. Contem comigo.

Continuar a acreditar

Reli o último post e, de revés, olhei para o rodapé deste blog onde Brecht me continua a lembrar que não estou cansada. Apesar do Sarkozy e do Alberto João, eu continuo a acreditar em milagres. Há coisas que só se explicam pela fé.

domingo, maio 06, 2007

Milagres ou talvez não

Acredito em milagres. Por isso tenho de acreditar (sem entusiasmo) que a Segolene será a próxima presidente de França e que o Alberto João vai finalmente perder a maioria absoluta na Madeira.

A força de Vanessa


Vanessa Fernandes é campeã do Mundo de Triatlo. E foi quase comovente ver a sua força de distanciamento perante as restantes atletas. A cada passada determinada, sem cansaço. Uma força que só me lembro de ver no pai, em cima da bicicleta, a trepar para a Torre. Parabéns Vanessa.

sábado, maio 05, 2007

As flores do meu cacto


O meu cacto dá flores uma vez por ano. Em Maio, quando o Sol anuncia a chegada breve do Verão. São flores lindas, amarelas, que duram poucos dias. Merecem por isso um registo.

sexta-feira, maio 04, 2007

Caem primeiro a câmara ou as árvores do Campo Pequeno?

Além dos 97 plátanos vão ser abatidos também vários Jacarandás no Jardim do Campo Pequeno. Num total de 200 árvores. Parece que as folhas estavam a entupir as vias de escoamento de água. Afinal, não eram as raízes danificadas... como alegava o vereador Prôa.
E embora o vereador já se tenha demitido, respondendo rapidamente ao apelo do seu chefe partidário, deixou activa a condenação das árvores.
Por isso só espero que a câmara, toda ela, caía antes. Já, rapidamente. Para que os Jacarandás do Campo Pequeno possam florir, lá para o fim de Maio.

quinta-feira, maio 03, 2007

Almoços à beira Tejo




Sabem-nos bem os almoços com amigos. Ainda que sejam demasiado rápidos para a nossa vontade de continuar. Assim sem mais. Com a mesma cumplicidade de quem basta um olhar para saber que o outro está ali. E não deixar passar as coisas que no dia-a-dia não vemos ou não estamos disponiveis para ver. São momentos de pausa que nos enchem de esperanças.
Soube-me bem estar ali a snifar o meu rio. E senti-lo o cordão umbilical que me prende à cidade.

Arquitectura do sim

Da Risoleta, com o fascínio pela prosa e pelos significados,
Foi numa conferência na minha escola com o arquitecto Graça Dias em que este apresentou vários projectos criados em parceria com José Vieira, que me apercebi que existem pelo menos dois tipos de arquitectura: a do sim e a do não. Há-de haver também a do talvez, a do nem por isso, a do antes pelo contrário, etc. À parte ter escrito uma ficção sobre um arquitecto, não percebo nada de arquitectura, por isso fui assistir à conferência. E percebi que, para além das concepções estéticas, é possível conceber uma casa, um teatro, ou um projecto urbanístico, com o coração aberto ou com o coração fechado. No fundo, um projecto arquitectónico é como as pessoas, porque é concebido e realizado por pessoas. Pode vir a implantar-se no mundo virando as costas a tudo o que não gosta, ou pode ter uma atitude tolerante, integradora, eu diria: alquímica. Sabemos que os projectos são propostos aos arquitectos e nem sempre o factor envolvente é aquele que eles teriam eleito: poderão ter como cenário edifícios empilhados de estilo galinheiro, casas de emigrantes como todos sabem que elas muitas vezes são, descampados desoladores e desolados, e por aí fora. Perante isto podem recusar, ou isolar-se orgulhosamente procurando levar a cabo projectos solitários e negando a realidade, acreditando que estão sozinhos a contribuir para a salvação estética do espaço. Quem sabe se do mundo também. Ou podem: olhar, reconhecer, aceitar, dialogar, integrar. Inclinando-se, elevar-se e elevar. Não sei falar sobre arquitectura, mas sei perceber quando um artista (uma pessoa) abre o coração ao mundo e o integra. E o transforma. Perguntar-me-ão: “E a estética?”. Responder-vos-ia: “E a ética?” Experimentem escrever “est-ética” sem “ética” e obterão um mero prefixo. Com prefixos não se faz arte. Nem amor. Talvez estes arquitectos, perante esta minha reflexão, argumentassem que tal não lhes passou pela cabeça, que não se preocuparam com a ética, que quiseram ser eficientes e funcionais. Eu continuo a achar que estamos a falar do mesmo. Não conheço eficiência sem ética, não conheço eficiência sem coração. Isso seria fria lógica e quando tal aconteceu na história, a qualquer nível, os resultados foram sempre catastróficos. Nesta conferência aprendi que se sou um teatro por nascer e se aquilo que me rodeia é um muro alto, uma estrada do outro lado e um edifício triste do outro, é um facto que não posso virar as costas ao meu meio, o melhor será ver com o que conto, olhar pelo lado da luz e do espaço, e perceber que a estrada me conduz ao mundo e o mundo até mim, que o muro afinal revela umas belas árvores e que o edifício abriga pessoas. Afinal, nada mau, para começar, e tudo depende do que EU fizer com isso. Os dados estão lançados. Cabe-me a mim agora jogar. Posso amuar, posso fechar-me, ou posso respirar e conversar. Com o olhar. E enfim, posso sempre dizer sim.

Decisões de princípio(s)

Decidi pelo cigarro. É mais fácil do que deixar o café. Obrigo-me a acreditar que a consciência disso poderá ser uma motivação. Veremos.

quarta-feira, maio 02, 2007

A terapia da escrita

Escrever é um acto de coragem e de libertação. Mesmo sem publicar, mesmo sem razão, por vezes tão somente nos ajuda a organizar ideias. Não importa como se escreve, nem o que se escreve. Há quem lhe chame terapia da escrita. Provavelmente será, mesmo quando a poesia nos chega em forma de prosa. Ou será, quando a prosa nos devolve lições de poesia?
De qualquer forma, a escrita sempre me reconciliou com a vida. O papel e a palavra, puxam por mim obrigando-me a reflectir. Sem me dar tréguas. Mesmo quando não quero ou estou distraída. Ou irascível.

As noticias que nos chegam

Ouvi ontem alguns telejornais e as notícias da Venezuela. Não ouvi uma única palavra sobre o aumento de 20% do salário mínimo ou - até - sobre a redução do horário de trabalho de 8 para seis horas diárias. Ms ouvi as palavras de Chavez a opor-se ao FMI.

terça-feira, maio 01, 2007

Decisões difíceis

Ando a ponderar abandonar os cigarros ou o café. Ainda não me decidi.

O trabalho, na Venezuela


Nas primeiras notícias da manhã leio que Hugo Chavez, o populista e marxista presidente da Venezuela, a quem o Ocidente muito deve a recessão económica deste inicio de século, decretou um aumento de 20% do salário mínimo e a redução do horário de trabalho para 6 horas diárias (30 horas por semana).

Da América Latina surgem sinais de mudança, de uma nova ordem mundial, mais tolerante e fraterna. Fraquezas de quem sempre teve uma costela sul-americana.


Quantos trabalhadores se consumiram na luta para que hoje fosse feriado? Quantas marteladas teve o meu pai de dar no dedo para não trabalhar nos 1ºs de Maio, sob o jugo da tirania fascista?

Poderemos nós, a uma distância de 30 anos, compreender.

O Leopardo

Ao ler o novo que se avizinha, lembrei-me de Tomasi di Lampedusa e da sua filosofia desesperada de impotência: É preciso que tudo mude, para que tudo fique na mesma. Assim ficará. Como no Gattopardo.

De cara lavada

A minha cidade acordou hoje de cara lavada, depois de uma noite chuvosa. O meu rio espelhava uma tranquilidade de prata, ali para o Mar da Palha. E eu agradeço aos céus terem poupado o meu nariz dos acáros. Como a Natureza, renascemos depois das crises.